'Cúpula dos EUA deve prestar contas por este crime': Irã apoia Cuba diante de pressão de Washington

A chancelaria iraniana afirmou que a recente intensificação das sanções e imposição de um bloqueio naval a Cuba, é "mais um exemplo de ilegalidade e de comportamento intimidatório dos Estados Unidos".

O Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã condenou, neste domingo (24), o que chamou de "contínuas interferências da cúpula governante dos Estados Unidos nos assuntos internos de Cuba", além de "sanções ilegais, medidas provocativas, pressões políticas e ameaças militares" contra a ilha.

Em comunicado, a chancelaria do país criticou o endurecimento das punições e afirmou que a nova escalada, marcada pela imposição de um bloqueio naval, representa "outro exemplo de ilegalidade e de comportamento intimidatório" por parte de Washington.

O texto também reforça que as sanções econômicas e comerciais impostas pelos EUA a Cuba remontam a 1960, após a Revolução Cubana, e permanecem em vigor até hoje. Para Teerã, essas medidas configuram violação da soberania nacional cubana e dos princípios centrais da Carta das Nações Unidas, em especial, o respeito ao direito dos povos à autodeterminação.

Ainda segundo o comunicado, o bloqueio e as sanções teriam provocado "uma flagrante violação dos direitos humanos do povo cubano", além de causar "amplos prejuízos econômicos" ao país.

"Crime contra a humanidade"

"As sanções ilegais e desumanas aplicadas pelos Estados Unidos contra Cuba ao longo dos últimos 66 anos, que constituem o regime de sanções mais prolongado imposto a um país, devido aos seus efeitos generalizados sobre a vida e os direitos humanos do povo cubano, representam um crime contra a humanidade, e a cúpula governante dos Estados Unidos deve prestar contas pela prática desse crime", acrescenta o texto.

A pasta iraniana também denuncia que "a recente intensificação das sanções por parte dos Estados Unidos e a imposição de um bloqueio naval contra Cuba", somadas a "acusações provocativas e infundadas" contra o país, feitas com o objetivo declarado de "intimidar e chantagear o governo cubano", são "mais um exemplo de ilegalidade e de comportamento intimidatório" de Washington, conduta que, segundo Teerã, deveria ser condenada por todos os Estados e pela ONU.

"Sem dúvida, a vontade dos povos de preservar sua independência e sua dignidade nacional não pode ser quebrada por meio de sanções e ameaças. A República Islâmica do Irã, ao mesmo tempo em que expressa total solidariedade ao governo e ao povo de Cuba, ressalta a necessidade de respeitar a soberania nacional dos Estados, a não ingerência em seus assuntos internos e o fim de medidas coercitivas unilaterais contra países em desenvolviment", conclui.

Ameaças dos EUA contra Cuba