
'Não é para tirar nenhum branco': Lula cita desigualdade histórica na educação pública e defende cotas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste sábado (23), as políticas de cotas e ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil. A declaração aconteceu em Manguinhos, no Rio de Janeiro, durante cerimônia de anúncio sobre a inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ao citar o aumento da presença de estudantes negros e da periferia nas universidades, Lula afirmou que o objetivo das políticas de inclusão é garantir igualdade de oportunidades.
"Hoje, você vai na USP [Universidade de São Paulo], em São Paulo, metade dos alunos são da periferia, são mulheres e homens negros que estão entrando na universidade", declarou.
O presidente também disse que as medidas não têm como objetivo excluir outros grupos.
🇧🇷🗯️ "NÃO É PRA TIRAR NENHUM BRANCO": Lula cita desigualdade histórica na educação pública e defende cotasDurante seu discurso, o presidente declarou que a elite brasileira não considerava necessário que pobres, indígenas e negros estudassem. pic.twitter.com/Y0JDVOt22z
— RT Brasil (@rtnoticias_br) May 23, 2026
"Nós não fizemos isso para tirar nenhum branco da universidade. O objetivo não é tirar nenhum branco, nenhum rico. O nosso objetivo é dar igualdade de oportunidade aos 215 milhões de brasileiros", afirmou.
Críticas à desigualdade histórica
Durante o discurso, Lula criticou o atraso histórico do acesso à educação no país e afirmou que a elite brasileira não considerava necessário que pobres, indígenas e negros estudassem.
"Somente quem nasce em berço rico vai ter chance. Somente quem nasce bem e rica vai ter um bom tratamento médico, vai nos melhores hospitais. E o pobre fica morrendo na fila, na periferia. Isso acabou!", disse.
O presidente também comparou o desenvolvimento educacional do Brasil ao da República Dominicana.
Segundo Lula, o país caribenho já possuía universidade 40 anos após a chegada de Cristóvão Colombo à região, enquanto o Brasil teve sua primeira universidade apenas em 1920, mais de quatro séculos após o descobrimento.
Desempenho de cotistas
Dados do Censo da Educação Superior de 2024, o último realizado, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgados pelo Ministério da Educação, apontam que 49% dos estudantes que ingressaram no ensino superior por meio de cotas em universidades federais e instituições da rede federal concluíram a graduação. Entre os demais ingressantes, o índice foi de 42%.
Ainda segundo o Ministério da Educação (MEC), mais de 1,4 milhão de estudantes ingressaram em instituições federais por meio de políticas de reserva de vagas entre 2013 e 2024. Apenas em 2024, foram 133.078 novos alunos cotistas.

