'Crime de guerra': Moscou explica por que ataque de Kiev à residência estudantil não foi acidental

Em sessão do Conselho de Segurança da ONU, o representante russo Vasily Nebenzya afirmou que drones atingiram repetidamente uma residência estudantil em Lugansk.

O representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vassily Nebenzya, denunciou nesta sexta-feira (22) o caráter deliberado do ataque ucraniano com drones contra uma residência estudantil na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk.

"O ataque não pode ter sido acidental: três ondas de drones atingiram o mesmo local. O impacto do drone contra o alojamento estudantil não pode ter sido resultado da atuação da defesa antiaérea ou da guerra eletrônica, como começaram imediatamente a afirmar em Kiev", declarou Nebenzya durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU.

Em seguida, o alto funcionário afirmou que "o ataque deliberado contra uma instalação civil onde crianças estudam e vivem, realizado à noite, quando a residência estava cheia, teve claramente como objetivo causar o maior número possível de vítimas".

"Segundo o direito internacional humanitário, isso constitui um crime de guerra", afirmou. "Nenhuma das pessoas que estavam no edifício participava nem podia participar das hostilidades. Também não há instalações militares próximas ao prédio", complementou.

Além disso, Nebenzya mostrou aos participantes da sessão fotografias dos edifícios destruídos. Sem o início da operação militar especial, tragédias como a ocorrida em Starobelsk aconteceriam "todos os dias", afirmou o diplomata.

"O ataque contra crianças é mais uma prova da essência covarde, terrorista e desumana das autoridades de Kiev que, ao sofrerem uma derrota no campo de batalha, em sua agonia atacam o que há de mais sagrado, com a conivência e o silêncio do Ocidente diante desses crimes", argumentou o funcionário.

Nesse contexto, ele detalhou que, até as 15h, foi confirmada a morte de seis pessoas e mais de 40 crianças feridas com diferentes níveis de gravidade. "Infelizmente, esse número pode aumentar", afirmou.

Vários menores estão em estado crítico no hospital e pode haver pessoas sob os escombros.

Segundo o diplomata, a ação do regime ucraniano "confirma de maneira evidente incapacidade de Kiev para negociar". "Incentivado por seus patrocinadores ocidentais, Kiev não está disposta a uma solução pacífica e a sabota abertamente", acrescentou.

"Dispomos de informações confiáveis de que capitais ocidentais fornecem dados de inteligência às Forças Armadas da Ucrânia e ajudam na designação de alvos", declarou Nebenzya.

"O regime neonazista de Kiev nunca deixou de atacar a população e a infraestrutura civil do nosso país, utilizando mísseis de cruzeiro e artilharia de foguetes de longo alcance fornecidos por países ocidentais", afirmou a autoridade.

O representante permanente da Rússia também destacou que os países ocidentais presentes na reunião fornecem armas ao regime de Vladimir Zelensky e não têm vergonha de dizer que esse é seu direito.

"Devem saber que, dessa forma, justificam e participam de atos de terrorismo como o cometido nesta noite. E a responsabilidade por essas decisões e crimes será inevitável", advertiu.

"Chamamos as estruturas internacionais, os governos nacionais e a opinião pública mundial a fazer uma avaliação honesta das ações criminosas do regime de Zelensky e a condenar com firmeza o sangrento atentado terrorista em Starobelsk. O silêncio equivalerá à cumplicidade com os atos sangrentos dos terroristas de Kiev e à indiferença diante do destino das crianças inocentes mortas e feridas", concluiu.