Embora fatores como exposição solar, tabagismo e estresse crônico sejam conhecidos por acelerar o envelhecimento, uma nova descoberta revela que o impacto psicológico pode ser igualmente determinante.
Segundo um estudo publicado na edição de fevereiro de 2026 da revista Psychoneuroendocrinology, a ansiedade relacionada ao processo de envelhecimento — especialmente o medo do declínio da saúde — pode deixar marcas físicas reais no organismo.
Distinção entre a idade cronológica e a biológica
A pesquisa, que acompanhou 726 mulheres na meia-idade, demonstrou que aquelas com maiores níveis de ansiedade sobre o futuro apresentaram um envelhecimento epigenético mais acelerado. Na prática, isso significa que o corpo envelhece mais rápido em nível celular, devido à forma como os genes são ativados ou desativados.
O estudo reforça a distinção entre a idade cronológica e a biológica. Enquanto a primeira é determinada pelo tempo de vida, a segunda reflete o funcionamento real do corpo, influenciado por indicadores como pressão arterial e níveis de colesterol. David Sinclair, professor de genética da Harvard Medical School, explica que os genes respondem por até 50% do ritmo de envelhecimento, deixando a outra metade sob controle do estilo de vida.
Além de fatores clássicos, como má alimentação e sedentarismo, o especialista destaca que hábitos como o "efeito sanfona" (dietas de perda e ganho de peso rápidos) podem acelerar mudanças epigenéticas, pois forçam o corpo a lidar com variações celulares constantes.