Milhares se reúnem em Havana em apoio ao líder cubano Raúl Castro

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira (22) em Havana, Cuba, em apoio ao ex-presidente e líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro Ruz, que foi indiciado pela Procuradoria-Geral dos EUA, na quarta-feira (20).
O documento divlugado pelo Departamento de Justiça dos EUA indica que Castro, junto a outros quatro oficiais cubanos, é acusado de ter provocado a morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos, no abatimento de duas aeronaves em 1996.
Após a divulgação do indiciamento, diversas organizações políticas e sociais convocaram a criação de uma Tribuna Anti-Imperialista na capital cubana às 7h30, horário local, para se unirem em torno do revolucionário — que completa 95 anos em 22 de maio — e reafirmar a vontade do povo cubano de resistir ao prolongado cerco dos EUA, que já dura mais de seis décadas.
"Por Cuba e por Raúl, estamos na Tribuna Anti-Imperialista", declarou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, minutos antes do início do evento.
🔴 Miles de personas se concentran en La Habana para respaldar al líder cubano Raúl Castro https://t.co/COVfEck4HF
— Sepa Más (@Sepa_mass) May 22, 2026
Na véspera, Díaz-Canel afirmou que as acusações contra Castro feitas pelo Departamento de Justiça dos EUA "apenas demonstram a arrogância e a frustração que a determinação inabalável da Revolução Cubana e a unidade e força moral de sua liderança provocam nos representantes do império".
Segundo o presidente, a medida "busca apenas engrossar o dossiê que fabricam para justificar o delírio de uma agressão militar" contra a ilha.
O anúncio também gerou ampla condenação por parte do governo cubano, que reiterou que "o governo dos EUA não possui legitimidade nem jurisdição para realizar essa ação".
As autoridades cubanas afirmaram que a manobra legal de Washington nada mais é do que "um ato desprezível e infame de provocação política, baseado na manipulação desonesta do incidente que levou à queda da aeronave sobre o espaço aéreo cubano", e cujo objetivo final é justificar perante a população o endurecimento do bloqueio e as "ameaças de agressão armada."
Ofensiva
A acusação contra Raúl Castro ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana. Em 29 de janeiro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.
O documento acusa, sem apresentar provas, o Governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir o envio à ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, Washington anunciou tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaçar com represálias aqueles que contrariem a ordem executiva da Casa Branca.
Na semana retrasada, Marco Rubio advertiu que os EUA planejavam impor novas sanções contra Cuba. Na segunda-feira (18), Washington concretizou a medida com sanções contra vários integrantes do gabinete do presidente Miguel Díaz-Canel.
- As medidas são tomadas em meio a uma escalada entre Washington e Havana. O governo cubano rejeita sistematicamente as alegações americanas e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
