Lavrov explica moderação russa no conflito: 'não queremos prejudicar nosso próprio povo'

O chanceler russo lembrou que vários territórios na zona da operação militar especial são habitados por pessoas que se reconhecem como parte da cultura russa e que o regime de Kiev tenta subjugar.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, explicou na quarta-feira (20) em entrevista ao Shanghai Media Group (SMG) por que a Rússia não emprega todo o seu potencial bélico na zona de operação militar especial.

Segundo Lavrov, o presidente russo Vladimir Putin já declarou que certos meios não são utilizados, pois Moscou evita "causar danos excessivos a territórios onde vive nosso povo sujeito a tentativas de subjugação por parte dos nazistas".

Único país do mundo que proibiu idioma e religião

Lavrov destacou que o conflito tem como base o "restabelecimento da justiça histórica", apontando que, após o colapso da União Soviética – "acelerado por esforços ocidentais" –, milhões de russos ficaram fora das fronteiras da Federação Russa.

O chanceler acusou o regime de Kiev de descumprir a Declaração de independência de 1991, que previa neutralidade, desnuclearização e garantia de direitos às minorias. "Se esses compromissos tivessem sido cumpridos, ninguém pensaria em uma operação militar especial", disse.

Lavrov denunciou que a Ucrânia se tornou "o único país do mundo" a proibir por lei o uso da língua russa e a perseguir a Igreja Ortodoxa vinculada a Moscou. "Em Israel se pode falar árabe e persa. No Irã, o hebraico não é proibido. O regime ucraniano, porém, prende sacerdotes e destrói templos", comparou.

Desnazificação

O chanceler reafirmou que os objetivos russos incluem a desnazificação da Ucrânia, bem como "impedir que a Ucrânia, que passou para o domínio nazista após o golpe de fevereiro de 2014, se torne uma ameaça permanente nas fronteiras da Rússia".

"Tínhamos reconhecido a Ucrânia como um país sem armas nucleares, não alinhado e neutro. Por isso, agora que a estão envolvendo na OTAN, não reconhecemos essa Ucrânia", declarou.