
Evo Morales enumera à RT as causas da crise política e social na Bolívia

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales enumerou nesta quinta-feira (21), em entrevista à RT, as causas do descontentamento popular no país em meio à crise política e social que afeta o governo do presidente conservador Rodrigo Paz.
"Há um levante, estou convencido de que é uma rebelião, uma sublevação do movimento popular, do movimento indígena e de outros setores sociais contra o modelo neoliberal" que Paz insiste em impor, afirmou Morales.
Segundo ele, as mobilizações foram motivadas pelo fato de que o "ajuste estrutural" diante da crise econômica promovido pelo governo recai sobre "as pessoas pobres".
O ex-presidente, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, rejeitou ter responsabilidade pelas manifestações, como vem sendo acusado. "Estão me culpando, mas eu não convoquei essa mobilização, não sou dirigente nacional dos movimentos sociais", enfatizou.
Nesse sentido, Morales afirmou que "o Governo (de Paz) perdeu toda a autoridade" apenas seis meses após assumir o poder, "porque começou a descumprir promessas eleitorais".
Segundo o ex-presidente, Paz "não respeitou" a Constituição do país e, por isso, contribuiu para uma "ruptura da ordem constitucional". Como exemplo, citou a retirada de atribuições do vice-presidente, Edmand Lara, por meio de um decreto.
"O presidente e o vice-presidente não se falam, não se olham nem se cumprimentam, não há governabilidade", destacou Morales.
As reivindicações
A Bolívia enfrenta, há mais de duas semanas, umaonda de protestos populares e bloqueios de estradas que começaram com reivindicações ao Executivo sobre salários, acesso aos combustíveis e rejeição a outras medidas, como a revogação da Lei de Terras. Com o passar dos dias, porém, os atos se intensificaram em demandas, alcance e confrontos.
Os manifestantes também exigem a renúncia do presidente e de parte de seu gabinete, em meio a confrontos e ações repressivas das forças de segurança.

Nesta quinta-feira (21), Paz reiterou seu chamado ao diálogo. "As organizações sociais, aquelas que representam as organizações sociais, sempre terão espaço de diálogo e negociação no governo", afirmou.
No entanto, o presidente já havia gerado polêmica ao declarar que não conversaria com "vândalos". Posteriormente, esclareceu o que queria dizer: "Quando me referia a vândalos, os vândalos são aqueles que destroem o teleférico, os vândalos são aqueles que agridem pessoas nas ruas, os vândalos são aqueles que destroem propriedades ou invadem propriedade privada e transformam isso em libertinagem".
Em entrevista anterior, Morales apresentou sua proposta para encerrar o conflito. "Pela Constituição, quando não há governabilidade, quando há abandono, quando há conflitos como estes, deve haver uma convocação para eleições em três meses".
