
Nicarágua expressa solidariedade a Raúl Castro após acusação dos EUA

A Nicarágua expressou nesta quinta-feira (21) sua solidariedade ao ex-presidente de Cuba Raúl Castro, após a acusação apresentada contra ele pelo Departamento de Justiça dos EUA.
"Nossa firme, congruente e consequente irmandade e solidariedade", diz um comunicado assinado pelos copresidentes do país centro-americano, Daniel Ortega e Rosario Murillo.
A mensagem também se estende ao presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e a "toda a liderança do partido e do Governo e povo revolucionários de Cuba", em meio às pressões de Washington contra a ilha.

"Consideramos este momento da nossa história de comunidade humana extremamente perigoso e prejudicial para os povos que tanto lutamos por nossa soberania, dignidade e direitos", afirma o texto.
As autoridades nicaraguenses também condenaram "categoricamente o desrespeito que viola todos os princípios e valores das Nações Unidas" e se somaram "à urgência de fazer valer a decisão irrevogável dos povos do mundo de viver em segurança, paz, consideração absoluta e boa vontade".
Além disso, lembraram que a América Latina e o Caribe foram declarados como "zona permanente de paz e desenvolvimento".
Acusação e defesa
A Justiça dos EUA acusou Castro e outras cinco pessoas por supostamente terem causado a morte de quatro pessoas em 1996, durante a derrubada de duas aeronaves. Desde então, Havana sustenta que eram dois aviões que ingressaram ilegalmente em seu espaço aéreo.
Sobre o caso, Díaz-Canel afirmou que a medida "se trata de uma ação política, sem qualquer fundamento jurídico, que busca apenas ampliar o dossiê que fabricam para justificar o desatino de uma agressão militar contra Cuba".
Da mesma forma, a chancelaria cubana afirmou que a acusação teria como objetivo "justificar o castigo coletivo e impiedoso contra o nobre povo cubano por meio do reforço das medidas coercitivas unilaterais, incluindo o injusto e genocida bloqueio energético e as ameaças de agressão armada".
Ofensiva
A acusação contra Raúl Castro ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana. Em 29 de janeiro, Donald Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.
O documento acusa, sem apresentar provas, o Governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir o envio à ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, Washington anunciou tarifas contra países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaçar com represálias aqueles que contrariem a ordem executiva da Casa Branca.
Na semana retrasada, Marco Rubio advertiu que os EUA planejavam impor novas sanções contra Cuba. Na segunda-feira (18), Washington concretizou a medida com sanções contra vários integrantes do gabinete do presidente Miguel Díaz-Canel.

