As autoridades da cidade mexicana de Chihuahua ficaram envolvidas em forte polêmica após confirmarem que autorizaram que as viaturas locais utilizem o escudo e a sigla do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), imagens foram divulgadas na terça-feira (19).
O prefeito de Chihuahua, Marco Bonilla, defendeu a medida alegando que ela faz parte de acordos de cooperação e treinamento internacional do município com corporações dos EUA.
"O objetivo nunca foi outro além de fortalecer a capacidade de nossos agentes para proteger melhor as famílias de Chihuahua", afirmou o funcionário em comunicado divulgado após a repercussão provocada pelas imagens dos veículos oficiais, exibidas durante a coletiva da presidente Claudia Sheinbaum.
Bonilla também afirmou que os acordos com diferentes cidades dos EUA existem há três décadas e que os atuais foram aprovados pela Secretaria de Relações Exteriores do México. No caso específico da Polícia de Nova York, explicou tratar-se de "um convênio entre corporações irmãs".
O que aconteceu?
Na véspera, um jornalista mostrou a Sheinbaum imagens das viaturas que exibiam o escudo e a sigla da Polícia de Nova York ao lado dos símbolos da Direção de Segurança Pública Municipal e do lema "corporações irmãs".
A presidente advertiu que a medida, além de não ser legal, faz parte de políticas que desrespeitam a soberania nacional e que, segundo ela, costumam ser promovidas pelos partidos de oposição ao seu governo.
"É essa visão do passado, de que o melhor é o que vem de fora. Essa foi a visão de muitos presidentes do México, particularmente durante o período neoliberal. Eles queriam se parecer com o exterior, especialmente com os Estados Unidos", afirmou.
"Podemos adotar estratégias importantes de qualquer parte do mundo, mas colocar o selo de outra cidade que não é a sua demonstra uma tentativa de simulação. Eu prefiro Chihuahua a Nova York, embora talvez o prefeito de Chihuahua não pense o mesmo", ironizou a presidente.
A controvérsia envolvendo as viaturas se soma ao escândalo provocado no mês passado pela governadora de Chihuahua, Maru Campos, também do PAN, após autorizar de forma secreta e ilegal a participação de agentes da CIA em uma operação antidrogas no estado.
O caso só veio à tona porque os agentes morreram posteriormente em um acidente de trânsito. A investigação continua em andamento e aprofundou as tensões diplomáticas entre México e EUA.