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O que Putin e Xi decidiram? Confira principais pontos da reunião em Pequim

Os presidentes da Rússia e da China assinaram uma ampla gama de acordos e declarações conjuntas que vão desde a cooperação militar e energética até a defesa de uma ordem mundial multipolar e a rejeição de ações unilaterais.
O que Putin e Xi decidiram? Confira principais pontos da reunião em PequimSputnik / Alexander Kazakov

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente chinês Xi Jinping realizaram nesta quarta-feira (20) uma rodada de conversas em Pequim que terminou com a assinatura de um conjunto abrangente de documentos e declarações.

O presidente russo observou que as relações entre Moscou e Pequim "atingiram um nível verdadeiramente sem precedentes" e continuam a se desenvolver.

Fortalecimento da cooperação militar

Em declaração conjunta, os líderes observaram que Moscou e Pequim continuarão a fortalecer a cooperação na esfera militar.

"As partes continuarão fortalecendo a tradicional amizade entre as Forças Armadas de ambos os países, aprofundando a confiança mútua no campo militar, aperfeiçoando os mecanismos de cooperação, ampliando a prática de exercícios conjuntos, patrulhas aéreas e marítimas, fortalecendo a coordenação e a interação em formatos bilaterais e multilaterais, respondendo conjuntamente a diversos desafios e ameaças, além de apoiar a segurança e a estabilidade globais e regionais", afirma o documento.

Condenação dos ataques ao Irã

Putin e Xi concordaram em sua declaração que os ataques dos EUA e Israel contra o Irã "violam o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais" e minam seriamente a estabilidade no Oriente Médio.

Moscou e Pequim ressaltam a necessidade de as partes em conflito retomarem o diálogo o mais rápido possível e negociações para evitar a expansão da zona de crise.

As partes ressaltaram ainda que ações como "o traiçoeiro lançamento de ataques militares contra outros países; hipócrita das negociações como cobertura para preparar tais ataques; assassinato de representantes dos governos de países soberanos; desestabilização da situação política interna naqueles países e a provocação de mudança de poder; descarado sequestro de líderes nacionais para julgamento viola gravemente os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas.".

América Latina como zona de paz

Os presidentes expressaram seu apoio ao status da América Latina e do Caribe como zona de paz, bem como à luta dos países latino-americanos "por escolher de forma autônoma seus caminhos de desenvolvimento e seus parceiros".

O documento afirma que Moscou e Pequim se opõem a qualquer ação que viola os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas ou que viola a soberania e a segurança de outros países, ressaltando que os países se opõem à interferência de forças externas nos assuntos internos da região "sob qualquer pretexto".

Consolidação de um mundo multipolar

Moscou e Pequim se alinharam em torno da ideia de um mundo multipolar, uma ordem global que, afirmam, não deveria mais ser dominada pelo Ocidente e, em especial, pelos EUA.

Nesse contexto, as partes adotaram declaração conjunta sobre o estabelecimento de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais.

"As tentativas de vários países de administrar unilateralmente os assuntos mundiais, impor seus interesses a todo o mundo e limitar as possibilidades de desenvolvimento soberano de outros países, no estilo da era colonial, falharam. O sistema de relações internacionais do século XXI está experimentando uma profunda transformação, caminhando de forma evolutiva para um estado policêntrico duradouro e para a formação de um novo tipo de relações internacionais", diz o documento.

Contra Domo de Ferro dos EUA

As partes observaram a natureza destrutiva da ideia dos EUA de construir o sistema de defesa aérea Domo de Ferro para estabilidade estratégica.

Segundo as partes, a iniciativa "nega completamente o princípio fundamental da manutenção da estabilidade estratégica, que prevê a indissolubilidade da inter-relação entre armas estratégicas ofensivas e defensivas".

Contra a glorificação do nazismo e reescrita da história

Moscou e Pequim observaram que continuarão a "defender firmemente a visão correta da história da Segunda Guerra Mundial" e a inalterabilidade de seus resultados, e que "se oporão às tentativas de negar, distorcer e falsificar a história" da guerra.

"As partes pretendem fortalecer ainda mais a cooperação na luta contra a glorificação do nazismo, fascismo e militarismo, bem como contra as tentativas de ressurgir essas ideologias destrutivas e a negação dos fatos do genocídio", diz o documento, acrescentando que as partes condenam veementemente a glorificação daqueles que lutaram ao lado de nazistas, fascistas e militaristas, colaboraram com eles e cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Apoio à soberania mútua

Ambos os lados expressaram apoio à soberania mútua: a Rússia apoiou a "Política de uma só China" e reconheceu Taiwan como parte inalienável do território chinês.

Pequim, por sua vez, apoia os esforços do lado russo "para garantir segurança e estabilidade, desenvolvimento nacional e prosperidade, soberania e integridade territorial, e se opõe à interferência externa nos assuntos internos da Rússia."

Novos horizontes de cooperação

Putin e Xi destacaram o alto ritmo da cooperação econômica, que vem se consolidando nos últimos anos, dando atenção especial ao setor de energia.

Foi destacada a energia nuclear, onde as partes expressaram sua intenção de continuar com a implementação dos projetos de construção das usinas nucleares de TianwanXudapu, garantir a conclusão oportuna das obras de construção e o comissionamento das instalações e, nesta base, aprofundar a cooperação no campo da energia nuclear pacífica.