México revela número de extradições solicitadas aos EUA

A presidente Claudia Sheinbaum cobrou reciprocidade do governo de Donald Trump.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, revelou nesta terça-feira (19) que, nos últimos oito anos, o país solicitou aos EUA a extradição de centenas de pessoas acusadas de diversos crimes, mas até agora nenhum processo teve resposta favorável.

"Foram apresentados 269 pedidos de extradição de janeiro de 2018 até 13 de maio de 2026 aos Estados Unidos (...) quantos foram entregues ao México? Nenhum", afirmou a mandatária durante entrevista coletiva.

Ela também explicou que entre os processos há alguns "casos gravíssimos", envolvendo um ex-governador acusado de crime organizado e outras pessoas que fugiram para os EUA e são acusadas do desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa, ocorrido em 26 de setembro de 2014.

"Não houve a entrega de nenhum desses supostos criminosos ao México. Ou seja, o que o México sempre pede? Reciprocidade. Por que não entregaram nenhum deles se são casos relevantes?", questionou.

Sheinbaum considerou "muito importante" que essa informação venha a público, porque a oposição de direita iniciou uma campanha contra seu governo depois que, no mês passado, os EUA solicitaram a prisão e extradição de 10 políticos mexicanos, dos quais dois já se entregaram às autoridades americanas.

A narrativa de seus adversários, lembrou, é a de que o México não quer entregar aos EUA os funcionários e ex-funcionários solicitados. "Na ocasião, dissemos que apresentassem as provas, o mesmo que os Estados Unidos dizem quando pedimos ordens de extradição: que apresentemos provas (...) é como se lá não existisse nada e todos os olhos estivessem voltados para o México", afirmou.

Casos emblemáticos

O chanceler Roberto Velasco participou da coletiva presidencial para explicar o alcance dos acordos bilaterais em matéria de extradição e revelou alguns dos nomes mais emblemáticos dos pedidos feitos pelo México.

Por exemplo, ele lembrou que em 8 de agosto foi solicitada a extradição de Francisco Javier Cabeza de Vaca, ex-governador de Tamaulipas acusado dos crimes de uso ilícito de atribuições e competências, crime organizado e operações com recursos de origem ilícita. No entanto, os EUA solicitaram informações adicionais para avançar com o processo.

Outros casos relevantes são os de José Ulises "N", ex-juiz do caso Ayotzinapa acusado de crime organizado, cuja extradição foi solicitada pelo México em sexta-feira (7) de 2024; e Pablo "N", conhecido como "El Transformer", integrante do cartel Guerreros Unidos envolvido no desaparecimento dos jovens de Ayotzinapa.

Eles e centenas de outras pessoas acusadas pela Justiça mexicana seguem em liberdade nos EUA porque o país ainda não autorizou nenhuma extradição.