Presidente do México comenta entrega de políticos mexicanos à Justiça dos EUA

O caso provocou tensão diplomática entre os dois países.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descartou nesta segunda-feira (18) que a entrega de dois ex-funcionários do estado de Sinaloa à Justiça dos EUA represente um problema para seu governo.

"Foi uma decisão deles se entregarem e não há nenhum risco", afirmou a mandatária em coletiva de imprensa, após a confirmação de que Gerardo Mérida Sánchez, ex-secretário de Segurança de Sinaloa, e Enrique Díaz Vega, ex-secretário de Finanças e Administração do mesmo estado, já estão detidos nos EUA.

Ambos fazem parte da lista de 10 políticos mexicanos para os quais o Departamento de Justiça dos EUA solicitou ordens de prisão e extradição no fim de abril, no início de um processo judicial internacional que provocou tensão diplomática entre os dois países, já que Sheinbaum advertiu que não havia provas contra os acusados.

Um jornalista perguntou à presidente se, com base nos depoimentos que esses ex-funcionários prestarem à Justiça dos EUA, o partido governista do México, Movimento de Regeneração Nacional (Morena), pode ser declarado uma "organização terrorista" devido aos supostos vínculos com o narcotráfico, já que a maioria dos acusados é filiada à legenda.

"Não, nenhum risco", respondeu a mandatária.

Ela também desmentiu as alegações de que os governos do Morena não prenderam narcotraficantes. Segundo Sheinbaum, durante o mandato do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), foram capturados 39 líderes criminosos relevantes, enquanto em sua gestão o número já chega a 52, dentro de um total de 672 supostos traficantes processados.