Notícias

PF aponta rede de hackers e intimidações ligada a Daniel Vorcaro

Apuração exibida pelo Fantástico desenha como operações digitais e ações presenciais eram coordenadas contra alvos ligados ao caso Master.
PF aponta rede de hackers e intimidações ligada a Daniel VorcaroBanco Master

A Polícia Federal afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma estrutura organizada para executar ataques cibernéticos, monitoramento ilegal e intimidações contra adversários

De acordo com a apuração do Fantástico, da Rede Globo, veiculada neste domingo (17), o esquema era dividido entre um núcleo de hackers, chamado "Os Meninos", e um braço operacional conhecido como "A Turma", responsável por ações presenciais.

A investigação também aponta participação de policiais, bicheiros e uso de inteligência artificial e documentos falsificados.

Os detalhes constam em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que embasaram mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro André Mendonça. De acordo com a PF, a organização atuava de forma coordenada para atingir pessoas consideradas desafetos de Vorcaro.

Entre os investigados está o hacker Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai em operação conjunta das autoridades brasileiras, da polícia local e da Interpol. Conforme a investigação, ele teria prestado serviços tecnológicos ao grupo desde 2024.

Em depoimento, Sedlmaier afirmou que desenvolvia softwares para a estrutura e recebia R$ 2 mil mensais, além de bônus. A PF também apura pagamentos que teriam sido feitos por meio de duas drogarias nas quais ele possuía participação societária.

Segundo os investigadores, o núcleo hacker recebia ordens de David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como responsável pelo setor digital. A PF afirma que ele recebia salário mensal de R$ 35 mil.

No dia 4 de março, mesma data da prisão de Daniel Vorcaro, Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais transportando um computador de mesa e três notebooks.

O carro utilizado pertencia a Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", que havia sido preso naquele dia e posteriormente cometeu suicídio. Alves não era alvo de mandado de prisão na ocasião e está foragido desde 14 de abril.

A investigação também identificou um episódio de falsificação de documento público atribuído ao grupo. Conforme a PF, hackers teriam produzido um ofício falso em nome do Ministério Público do Ceará para solicitar a remoção de um perfil criado com o nome da então noiva de Daniel Vorcaro.

O documento continha a assinatura de uma servidora do órgão e foi enviado por meio do e-mail institucional dela. Os investigadores afirmam que ainda não foi possível concluir se a funcionária participou da ação. A plataforma responsável pela rede social removeu o perfil um dia depois do envio do ofício.

No braço operacional, a PF aponta que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, atuava como financiador e operador das ações físicas do grupo.

Segundo os relatórios, "A Turma" reunia policiais federais da ativa e aposentados, além de bicheiros e milicianos, responsáveis por ameaças, coerções e acessos indevidos a sistemas governamentais. Entre os integrantes citados está Marilson Roseno da Silva, transferido de uma unidade prisional em Minas Gerais para o Presídio Federal de Brasília.

Os investigadores afirmam que a perseguição ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, foi um dos elementos que motivaram o pedido de prisão de Daniel Vorcaro em março.

De acordo com a PF, o grupo discutiu a possibilidade de "quebrar os dentes" do colunista durante um assalto simulado.

Em mensagens obtidas pela investigação, Vorcaro escreveu: "preciso hackear esse lauro". Em resposta, Sicário afirmou: "vou mandar fazer isto. já pedi aos meninos para fazer isto. mandar no email. quer que tome o cel dele?".

Ainda segundo a PF, houve tentativa de contato com o jornalista por meio do WhatsApp para envio de um link, mas a abordagem não avançou.