Alemanha busca alternativa aos mísseis Tomahawk dos EUA

Divergências entre Donald Trump e Friedrich Merz levantaram dúvidas sobre o envio de sistemas americanos para a Alemanha, segundo a imprensa.

A Alemanha está buscando no mercado sistemas de mísseis de longo alcance devido à possível recusa dos Estados Unidos em fornecer mísseis de cruzeiro Tomahawk ao país, declarou o inspetor-geral das Forças Armadas alemãs, Carsten Breuer, ao jornal Süddeutsche Zeitung, neste domingo (17).

"Pelo visto, o desdobramento do Batalhão de Fogo de Longo Alcance previsto sob o mandato de Biden não será realizado. Trata-se de uma questão estratégica. […] Enquanto isso, estamos analisando com urgência soluções provisórias, como a compra de sistemas disponíveis no mercado. Para isso, também estamos conversando com nossos parceiros", afirmou.

Breuer acrescentou que já discutiu o tema com representantes do Pentágono e que, paralelamente, a Alemanha impulsiona o desenvolvimento desse tipo de armamento na Europa.

Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, divergências recentes entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chanceler alemão Friedrich Merz sobre as ações militares de Washington contra o Irã teriam levado ao cancelamento do envio para a Alemanha de um contingente americano equipado com armas de longo alcance.

De acordo com a publicação, o cancelamento foi anunciado ao mesmo tempo que a decisão de retirar 5 mil soldados americanos do território alemão.

O jornal afirmou que a medida deixa a Europa diante de uma "lacuna de segurança" e intensificou preocupações em capitais europeias sobre a possibilidade de os Estados Unidos retirarem armamentos antes de a região desenvolver alternativas próprias.

Conforme o acordo alcançado entre o ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden e o ex-chanceler alemão Olaf Scholz, o envio de tropas equipadas com mísseis Tomahawk, mísseis balísticos SM-6 e o sistema hipersônico Dark Eagle serviria para "demonstrar o compromisso dos Estados Unidos com a OTAN e sua contribuição para a dissuasão integrada europeia".