Rússia está indignada com cinismo dos EUA em relação a Cuba

Washington endurece o bloqueio ilegal contra a nação caribenha ao mesmo tempo em que se declara disposta ao diálogo, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Moscou está indignada com o cinismo de Washington, que endurece o bloqueio ilegal contra Cuba ao mesmo tempo em que afirma estar disposta ao diálogo, declarou neste sábado (16) o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Riabkov.

"Estamos indignados com o nível de cinismo com que os Estados Unidos, por um lado, intensificam seu bloqueio à ilha — algo totalmente ilegal e inaceitável sob todos os pontos de vista —, enquanto, por outro lado, demonstram o que acreditam ser uma disposição para o diálogo", declarou à imprensa. "Não cabe a nós, mas aos nossos aliados e amigos cubanos, avaliar o que realmente está ocorrendo nesse diálogo — se é que se pode chamá-lo assim — e não um processo em que Washington apresenta exigências cada vez mais ambiciosas e duras a Havana", continuou.

Além disso, Riabkov destacou que para Moscou está claro que, independentemente de como esse processo se desenrole, o mundo enfrenta "uma manifestação cínica e flagrante da doutrina Monroe, que não tolera a 'dissidência' em todo o hemisfério ocidental".

O diplomata destacou que Cuba é um símbolo do surgimento de uma nova ordem mundial, de resiliência e de altruísmo. "Um país que apresenta excelentes resultados em uma ampla gama de áreas do desenvolvimento social", observou, acrescentando que o governo dos Estados Unidos vem tentando impedir isso há décadas.

Rússia está do lado de Cuba

Ao mesmo tempo, Riabkov reiterou seu apoio "incondicional" a Cuba em meio às constantes ameaças e agressões dos EUA contra a nação caribenha. "Apoiamos incondicionalmente Cuba e, quero ressaltar, não abandonamos nossa postura de princípios de apoio a um Estado historicamente próximo a nós, um Estado que nos oferece — à Rússia — um apoio valioso em fóruns internacionais. Com a Rússia, cooperamos em muitos aspectos da configuração de uma nova ordem mundial".

No dia anterior, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a apoiar Cuba diante do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos. O apoio foi transmitido ao chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, durante um encontro bilateral realizado à margem da cúpula de ministros das Relações Exteriores do BRICS.

"A parte russa manifestou sua disposição de prestar apoio a Havana na busca de sua justa reivindicação de que os Estados Unidos ponham fim imediatamente ao bloqueio comercial, econômico e financeiro da ilha, bem como à exclusão de Cuba da lista norte-americana de 'Estados patrocinadores' do terrorismo", afirma a declaração do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

Ameaça dos EUA a Cuba

Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.

A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".

Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.