
Máfias albanesa e italiana disputam espaço em país da América Latina

O comandante da Zona 7 da Polícia Nacional do Equador, coronel Renato González, afirmou em uma entrevista publicada na quinta-feira (14) que investigações recentes confirmaram a presença da máfia albanesa na província de El Oro e alertou também sobre a influência da máfia italiana 'Ndrangheta, considerada uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo.
"Existe a influência da máfia calabresa, ou seja, da Itália, a 'Ndrangheta. Essa máfia é muito mais sofisticada e está acima da máfia albanesa", afirmou González em entrevista ao jornal equatoriano Correo.
Segundo ele, essas estruturas criminosas operam por meio de alianças com gangues locais e utilizam empresas e sistemas financeiros para lavar dinheiro proveniente do narcotráfico internacional.
O chefe policial afirmou que a província de El Oro se transformou em um ponto estratégico para as rotas internacionais da droga devido à sua localização geográfica, sua saída marítima e o crescimento constante do crime organizado nos últimos anos.
Ele também indicou que as máfias estrangeiras buscam controlar corredores-chave por meio de acordos com organizações equatorianas.

Segundo González, um dos principais eixos criminosos está relacionado ao cartel de Sinaloa, do México, e a grupos armados ilegais da Colômbia, especialmente no departamento de Nariño.

"Essa droga que entra em nosso país é protegida no Equador por organizações criminosas", afirmou.
O coronel explicou ainda que operações recentes permitiram confirmar a atuação da máfia albanesa em território equatoriano.
"No dia seguinte foi realizada aqui a Operação Costa, e essa operação já nos deu uma confirmação da atuação da máfia albanesa no território da província de El Oro", declarou.
Conflito armado interno
González também descreveu uma forte fragmentação dentro dos Los Lobos, uma das organizações criminosas mais perigosas do Equador.
Segundo ele, atualmente existem facções rivais lideradas pelos apelidos "Calaca", "Saoco" e "Boxeador", situação que, de acordo com o coronel, intensificou a violência e as disputas territoriais na província.
As declarações ocorrem em meio a uma ampla operação militar e policial em Puerto Bolívar, na cidade de Machala, onde cerca de mil agentes realizam buscas e operações de controle em mais de 1.600 residências.
González afirmou que o Equador enfrenta um conflito armado interno e alertou sobre novas ameaças criminosas, como o uso de drones explosivos e ataques coordenados com tecnologia avançada.
"Não existe uma solução mágica nem imediata. Isso exige um processo sustentado de anos, com participação do Estado, do setor privado e da população", concluiu.
