Eduardo Bolsonaro sobe tom contra Intercept após revelação de novos documentos: 'vagabundos'

Deputado chamou o portal de "mentiroso" e negou ter recebido recursos do empresário Daniel Vorcaro para produção de filme sobre Jair Bolsonaro.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reagiu nesta sexta-feira (15) à publicação de novos documentos divulgados pelo portal The Intercept Brasil sobre o filme "Dark Horse", produção baseada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo atacou o veículo, chamou os jornalistas de "vagabundos" e negou ter recebido recursos do empresário Daniel Vorcaro.

"Intercept, vocês são vagabundos! Não existe dinheiro do Vorcaro para mim, larguem de ser mentirosos!", escreveu Eduardo Bolsonaro na legenda da publicação. O deputado também afirmou que o portal estaria promovendo um "assassinato de reputação".

Mais cedo, o The Intercept Brasil divulgou documentos segundo os quais Eduardo Bolsonaro teria exercido um papel mais amplo na gestão financeira do longa do que vinha afirmando publicamente. De acordo com o portal, um contrato coloca Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) "à frente da produção-executiva", função ligada ao controle de orçamento e à gestão financeira do projeto audiovisual.

Segundo a reportagem, o cargo atribuiria aos dois responsabilidade sobre decisões relacionadas à captação e ao uso de recursos do filme. O portal observou, porém, que não há informação sobre quem teria executado efetivamente essas funções.

As revelações contrariam declarações feitas por Eduardo Bolsonaro na quinta-feira (14), quando afirmou que "não é dono do filme" e que não participa da "gestão burocrática, financeira e legal dos recursos". Na ocasião, ele declarou que essa responsabilidade estaria sob comando de seu advogado migratório.

No vídeo divulgado nesta sexta-feira, Eduardo voltou a negar irregularidades e afirmou que os recursos mencionados pelo portal tiveram origem em um curso chamado "Ação Conservadora".

Segundo ele, cerca de R$ 350 mil foram convertidos em aproximadamente US$ 50 mil e enviados aos Estados Unidos para garantir um contrato com um diretor de Hollywood responsável pelo desenvolvimento inicial do projeto.

O ex-deputado declarou que assumiu sozinho o risco financeiro da operação e que posteriormente o projeto passou a contar com um grupo de investidores. Segundo ele, a estrutura da produção foi transferida para os Estados Unidos devido ao que chamou de "perseguição" política no Brasil.

Eduardo Bolsonaro também negou ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou de fundos ligados ao projeto.

"Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro deste fundo que foi criado nos Estados Unidos está mentindo para você", disse.

Durante a gravação, o ex-parlamentar afirmou ainda que o filme contará com atores de Hollywood e citou nomes ligados a produções como "A Paixão de Cristo", "Missão Impossível", "Prison Break" e "X-Men" para justificar o montante.