Premiê da Eslováquia acusa Europa de alimentar conflito na Ucrânia

"Nosso dever é estabelecer um diálogo sério com a Rússia, no qual tenhamos o mesmo respeito por nossos parceiros russos que por nossos parceiros ucranianos", afirmou Robert Fico.

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, declarou nesta sexta-feira (15), durante uma coletiva de imprensa, que o apoio europeu a Kiev está prolongando o conflito na Ucrânia.

Segundo o mandatário, os ataques com drones preocupam a Eslováquia, já que a "guerra" em curso "está muito próxima". "Temos que ter muito cuidado", acrescentou. Por esse motivo, Fico expressou o desejo de que a paz chegue "o mais rápido possível".

No entanto, admitiu que o fim das hostilidades não depende dele e afirmou que, "se a Europa continuar alimentando a guerra como está fazendo, devemos esperar que esse conflito dure bastante tempo".

"Nosso dever é estabelecer um diálogo sério com a Rússia, no qual tenhamos o mesmo respeito por nossos parceiros russos que por nossos parceiros ucranianos", afirmou.

Crítica a empréstimo

Fico já criticou anteriormente a possibilidade de a UE conceder à Ucrânia um empréstimo de 90 bilhões de euros e defendeu que Bruxelas deveria rejeitar a medida diante das "ações realmente prejudiciais da liderança política ucraniana".

Ele também reiterou que a Eslováquia não participa desse empréstimo e classificou como "flagrante" o que descreveu como uma "zombaria" da Ucrânia contra a Europa.

Divergências com Zelensky

Nesse contexto, o chefe do governo eslovaco afirmou que suas relações com Vladimir Zelensky "são marcadas por opiniões diametralmente opostas" em diversos temas, como o conflito, a interrupção do trânsito de gás russo para a Eslováquia por parte da Ucrânia e os empréstimos militares.

Apesar disso, destacou que o fato de Eslováquia e Ucrânia serem países vizinhos as obriga a "dialogar e buscar soluções que não prejudiquem ainda mais as relações" entre ambas as nações.

Sobre uma possível adesão da Ucrânia à UE, Fico alertou para consequências negativas, embora tenha reconhecido que a ampliação do bloco deve continuar.

"Se a Ucrânia não tiver perspectivas de desenvolvimento estável e democrático após a guerra, milhares de soldados com vasta experiência militar e armamento de todo tipo poderão recorrer ao crime organizado e expandi-lo para a UE, sendo Eslováquia, Polônia e Hungria os países mais próximos", explicou.