Lentes de contato com estímulos elétricos reduzem sinais de depressão em testes

Tecnologia envia sinais elétricos ao cérebro pela retina e restaurou conexões neurais em ratos.

Os autores de um estudo publicado na quinta-feira (14) na revista Cell Reports Physical Science desenvolveram lentes de contato para combater a depressão após comprovarem, em testes com ratos, que elas são tão eficazes quanto o antidepressivo Prozac.

Trata-se de lentes macias e transparentes que utilizam eletrodos para enviar sinais elétricos fracos ao cérebro por meio da retina, estimulando áreas cerebrais relacionadas à depressão.

Os resultados foram comparados entre vários grupos de controle: ratos sem depressão, ratos deprimidos sem tratamento, ratos deprimidos que utilizaram as lentes de contato e ratos deprimidos tratados com fluoxetina.

Para avaliar a eficácia, o tratamento foi aplicado durante 30 minutos diários ao longo de três semanas em ratos com depressão induzida. Isso permitiu observar que o uso das lentes reduziu significativamente os marcadores comportamentais, neuronais e fisiológicos da depressão nos animais.

O tratamento resultou em melhora no comportamento e na restauração das conexões cerebrais entre o hipocampo e o córtex pré-frontal, além da redução dos níveis de moléculas inflamatórias no cérebro.

Da mesma forma, os biomarcadores da depressão foram parcialmente normalizados, com redução de 48% da corticosterona e aumento de 47% da serotonina, fazendo com que um modelo de aprendizado de máquina classificasse os animais como saudáveis.

Alternativa aos tratamentos atuais

Os testes desse tratamento representam uma alternativa inovadora aos métodos convencionais contra a depressão, como medicamentos, eletrochoque ou implantes cerebrais.

Embora já existam lentes utilizadas para monitorar distúrbios oculares e metabólicos, esta é a primeira vez que elas são empregadas para tratar um transtorno cerebral.

No entanto, antes de serem testadas em humanos, os próximos passos incluem fabricar as lentes de forma sem fio, validar sua segurança em animais de grande porte e personalizar a estimulação de acordo com as necessidades de cada paciente.

Após o cumprimento desses requisitos, serão iniciados os ensaios clínicos.

"Nosso trabalho abre uma fronteira completamente nova no tratamento de transtornos cerebrais por meio do olho", afirmou o principal autor do estudo, Jang-Ung Park.

"Acreditamos que essa abordagem portátil e sem medicamentos é extremamente promissora para transformar a forma como a depressão e outras condições cerebrais, como ansiedade, dependência química e deterioração cognitiva, são tratadas", acrescentou.