Sem maior papel da América Latina, Ásia e África, credibilidade da ONU é 'limitada', diz Índia

Diplomacia indiana cobrou reformas em espaços de poder das Nações Unidas e destacou o papel do BRICS na construção de um modelo "mais representativo e inclusivo".

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou, nesta sexta-feira (15), que a credibilidade e a efetividade da ONU continuarão "limitadas" sem reformas. A exigência indiana para as Nações Unidas gira em torno da maior representação de países da Ásia, África e América Latina nos espaços de decisão.

Em discurso no último dia da reunião de chanceleres do BRICS, realizada em Nova Delhi, Jaishankar afirmou que os mecanismos da ONU, criados no pós-guerra, não acompanharam as transformações geopolíticas. "O Conselho de Segurança continua refletindo uma era anterior", apontou.

Esta é uma demanda comum dos países do BRICS. Rússia, China e Brasil defendem mudanças no Conselho de Segurança da ONU. Hoje, a cúpula possui 15 membros, sendo 10 rotativos e cinco permanentes. Os que têm assento fixo — China, Rússia, EUA, Reino Unido e França — são os únicos que possuem poder de veto a qualquer decisão.

Inclusão e representatividade

Jaishankar afirmou que a reforma do multilateralismo "não é uma escolha, mas uma necessidade", diante da perda de confiança nas instituições internacionais e das dificuldades de tomada de decisão em organismos globais como as Nações Unidas.

Segundo ele, os países do BRICS compartilham a responsabilidade de impulsionar um modelo internacional "mais inclusivo, representativo e responsivo".

Além da ONU, Jaishankar pediu reformas na arquitetura financeira internacional e no sistema multilateral de comércio.

De acordo com o ministro, os bancos multilaterais de desenvolvimento precisam se tornar "mais robustos e responsivos" diante de desafios como insegurança alimentar e energética, fragilidade das cadeias de suprimentos e desigualdade no acesso a recursos estratégicos.

Ao encerrar o discurso, Jaishankar afirmou que "cooperação é essencial", "diálogo é necessário" e que a reforma das instituições multilaterais está "atrasada". Segundo ele, a Índia seguirá trabalhando com parceiros, como o BRICS, pela construção de uma ordem global "mais democrática, representativa e equitativa".