
'Dieta bíblica' gera debate entre médicos e teólogos

A crescente popularidade de conteúdos que associam práticas religiosas a estratégias de emagrecimento tem gerado debates entre especialistas em saúde e teólogos. Nas redes sociais, criadores de conteúdo compartilham rotinas baseadas em conceitos como o "jejum bíblico" ou a "dieta de Daniel", prometendo perdas de peso rápidas — que chegam a 5 kg em uma semana — mediante o consumo de alimentos naturais e períodos de privação.
Além dos riscos físicos
Embora alguns profissionais defendam que a mudança de hábitos pode integrar aspectos emocionais e espirituais, a comunidade médica expressa forte preocupação. Endocrinologistas e nutrólogos alertam que dietas severamente restritivas podem provocar perda de massa muscular, redução do metabolismo e desequilíbrios de minerais essenciais, como potássio e magnésio. Além dos riscos físicos, como desidratação e desmaios, psiquiatras advertem para o potencial aumento da ansiedade e de episódios de compulsão alimentar.

Marcella Garcez, a nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, argumentou que restrições severas levam o corpo a economizar energia.
"Isso pode dificultar a continuidade da perda de peso e prejudicar a qualidade nutricional", explicou a nutróloga, citada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira (13).
No campo teológico, o cenário é de cautela quanto à interpretação das escrituras. Para líderes religiosos, o jejum tem finalidade de comunhão e busca espiritual, e não estética. Argumenta-se que vincular práticas de devoção a padrões de beleza pode distorcer o sentido original da tradição e trazer impactos negativos tanto à saúde física quanto à vida espiritual dos fiéis.
