Rumo à colisão? A cruzada do papa Leão XIV diante da ascensão da IA

O papa teria como objetivo evitar que a automação do trabalho se torne uma desculpa para a desumanização do ambiente laboral moderno.

O papa Leão XIV marcará o rumo de seu pontificado a partir desta sexta-feira (15), dia em que se espera que assine sua primeira encíclica, que, segundo a imprensa, se chamará "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade, em português). O documento define a inteligência artificial (IA) como o grande desafio moral e trabalhista de uma "nova revolução industrial" que coloca no centro o bem-estar humano e seu direito ao trabalho.

De acordo com informações da Axios, o pontífice exigirá que a tecnologia permaneça sempre subordinada à pessoa e nunca o contrário. Sua proclamação, acrescenta o veículo, seria inspirada na histórica "Rerum Novarum" de 1891, a encíclica fundacional do papa Leão XIII sobre os direitos dos trabalhadores em plena era industrial.

Com este novo documento, Leão XIV busca atualizar a doutrina social da Igreja e tem como objetivo evitar que a automação se transforme em uma desculpa para a desumanização do ambiente laboral moderno, o desemprego e a escravidão do ser humano por meio da tecnologia avançada.

O enfoque de Leão XIV, acrescenta o veículo, também retoma os alertas do falecido papa Francisco, que advertiu que a IA poderia, se mal empregada, reduzir os seres humanos a simples pontos de dados, o que aceleraria a desigualdade, a vigilância em massa e a guerra autônoma. Nessa mesma linha, o novo papa ordenou ao clero que não utilize a IA para a redação de homilias.

Embora o Vaticano não tenha uma postura formal sobre a IA, a Santa Sé já executou ações concretas, como a promoção do "Apelo de Roma pela ética da IA", uma iniciativa que a Igreja impulsionou originalmente para exigir transparência e um desenvolvimento centrado no ser humano.

Com esta encíclica, diz a Axios, a Igreja buscaria se aproximar mais das pessoas, de suas dificuldades, de suas lutas, de suas condições de trabalho, com uma mensagem em que o progresso tecnológico não deve sacrificar os valores fundamentais da humanidade nem sua autonomia em troca de eficiência. Isso coloca o Vaticano em uma nova etapa em que o social e a rejeição às injustiças seriam uma questão prioritária.