O diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), John Ratcliffe, reuniu-se nesta quinta-feira (14) com autoridades do Governo cubano, informou o jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.
No encontro, realizado com integrantes do Ministério do Interior, a parte cubana apresentou elementos que "permitiram demonstrar categoricamente que Cuba não representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA, nem existem razões legítimas para incluí-la na lista de países que, supostamente, patrocinam o terrorismo".
Segundo Havana, "ficou evidenciado que a ilha não abriga, não apoia, não financia nem permite organizações terroristas ou extremistas", como denunciou em algumas ocasiões a administração do presidente Donald Trump.
O governo cubano reiterou sua "condenação inequívoca ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações" e enfatizou que "nunca apoiou nenhuma atividade hostil contra os EUA nem permitirá que a partir de Cuba se atue contra outra nação".
Na reunião, realizada "a partir de uma solicitação" de Washington, foi determinado que ambos os países estão dispostos a "desenvolver a cooperação bilateral" para garantir a segurança tanto cubana quanto americana.
As conversas ocorreram "em um contexto marcado pela complexidade das relações bilaterais", dois dias após Trump afirmar que o país caribenho "está pedindo ajuda" e que ele está disposto a conversar.
Ameaça dos EUA a Cuba
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.