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Congressistas dos EUA pedem suspensão de operações militares do seu Exército no Equador

Por meio de uma carta dirigida ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, parlamentares exigiram explicações sobre operações que não contam com aprovação legislativa.
Congressistas dos EUA pedem suspensão de operações militares do seu Exército no EquadorGettyimages.ru

Membros do Congresso dos EUA enviaram uma carta ao secretário de Defesa do país, Pete Hegseth, para exigir explicações sobre as operações contra o narcotráfico realizadas no Equador e pedir sua suspensão imediata, segundo documento datado de quarta-feira (13).

O texto detalha as preocupações dos congressistas após relatos de possíveis violações de direitos humanos no país sul-americano, depois de um bombardeio realizado contra uma instalação civil durante uma suposta operação antidrogas.

"Escrevemos para solicitar a suspensão imediata dessas operações até que os fatos sejam investigados de maneira exaustiva", afirma a carta, assinada pelos congressistas Jesús "Chuy" García (Illinois), Greg Casar (Texas) e Sara Jacobs (Califórnia), junto com outros 17 membros da Câmara dos Representantes.

No documento, é solicitada informação mais detalhada sobre a "justificativa legal" para o envio da missão da qual participam integrantes das Forças Armadas americanas.

"Pouco claro"

As dúvidas surgem em um contexto específico. No início de março de 2025, o Comando Sul anunciou que realizaria ações militares contra supostas "instalações de narcoterroristas" no Equador, sem especificar quais, e dias depois Donald Trump confirmou que elas haviam sido executadas. No entanto, os detalhes continuam sem esclarecimento.

Quase no fim daquele mesmo mês, o The New York Times revelou que um dos locais atacados na ofensiva era uma fazenda de produção leiteira, sem qualquer vínculo com organizações criminosas. Segundo testemunhas, militares equatorianos agrediram, interrogaram e torturaram civis desarmados dias antes do bombardeio, ocorrido em 6 de março.

"Essas ações ocorreram na fronteira entre Equador e Colômbia, uma região particularmente sensível e instável. Qualquer ação militar nessa área envolve riscos significativos de gerar tensões transfronteiriças que poderiam escalar para um conflito regional de maior magnitude", alertam os congressistas, ao mencionar o recente impasse entre Quito e Bogotá após a descoberta de uma bomba equatoriana não detonada em território colombiano.

A carta também menciona declarações do subsecretário interino de Defesa para Defesa Nacional e Assuntos de Segurança das Américas, Joseph Humire, e do chefe do Comando Sul, Francis L. Donovan, para destacar que as autoridades americanas tinham conhecimento das ações em território equatoriano.

Segundo o documento, o presidente do país sul-americano, Daniel Noboa, foi quem planejou a ofensiva denominada "Operação Extermínio Total".

"Tendência autoritária e antidemocrática"

Na avaliação dos congressistas, é preocupante que as Forças Armadas americanas aprofundem seus vínculos com o Governo de Noboa "em um contexto no qual o país atravessa uma preocupante tendência autoritária e antidemocrática".

Nesse sentido, eles citam a repressão a protestos, o congelamento de contas bancárias de ONGs e processos "questionáveis contra opositores políticos", com "aliados" em instituições-chave como a Procuradoria-Geral.

Além disso, ressaltam que a população equatoriana "suporta há mais de dois anos" o estado de exceção sob o pretexto da suposta luta contra "narcoterroristas". No entanto, segundo os congressistas, a estratégia apresentou resultados limitados.

"Não conseguiu reduzir nem o narcotráfico nem a violência; ao contrário, no ano passado o Equador registrou a maior taxa de homicídios de sua história. Ao mesmo tempo, as Forças Armadas foram alvo de denúncias críveis sobre supostas violações generalizadas de direitos humanos", afirma a carta.

Da mesma forma, os congressistas levantam a possibilidade de abrir uma investigação "independente e transparente" contra Noboa para verificar a veracidade das reportagens que vinculam o presidente "ao narcotráfico e às mesmas redes ilícitas que afirma combater".

Segundo os congressistas, qualquer assistência das forças americanas a "unidades envolvidas" em violações de direitos humanos "constituiria uma violação das Leis Leahy", que proíbem expressamente esse tipo de atividade.

Pedido

Diante das dúvidas, os membros do Congresso exigem um relatório detalhado das operações, especialmente das que resultaram no bombardeio à fazenda.

Também solicitam um documento que esclareça a base legal das ações americanas em campo, a identificação das unidades envolvidas, um dossiê sobre as denúncias de violações de direitos humanos no país sul-americano e um relatório sobre funcionários equatorianos suspeitos de atividades ilícitas, incluindo pessoas ligadas a Noboa e "empresas vinculadas à sua família".

"Os EUA não podem afirmar de maneira crível que promovem o Estado de direito enquanto apoiam ou facilitam práticas abusivas no exterior. Também não podem se permitir ampliar operações militares em uma região fronteiriça tão instável sem a devida autorização do Congresso, salvaguardas claras, mecanismos de prestação de contas e pleno respeito aos direitos humanos", conclui a carta, que estabelece 22 de maio como prazo para receber uma resposta.