O chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, fez um discurso durante a reunião de Ministros das Relações Exteriores do BRICS nesta quinta-feira (14), alertando para o que classificou como uma "convergência de desafios" que testa a resiliência dos sistemas multilaterais.
"O que estamos testemunhando não é uma série de eventos isolados, mas uma convergência de desafios", afirmou.
Crise global e impacto nos países emergentes
O chanceler indiano observou que conflitos, eventos climáticos e a pandemia de COVID-19 fragilizaram as perspectivas de crescimento global, com impacto particularmente severo sobre os países em desenvolvimento. Subrahmanyam Jaishankar destacou "pressões sobre a segurança energética, alimentar e de fertilizantes, interrupções nas cadeias de suprimentos, tendências inflacionárias e restrições ao crescimento" como principais desafios.
"A estabilidade não pode ser seletiva, e a paz não pode ser fragmentada", declarou, defendendo que o BRICS atue de forma coordenada para promover respostas eficazes.
Gaza e tensões Oriente Médio
Abordando a situação no Oriente Médio, o chanceler classificou o conflito em Gaza como de "graves implicações humanitárias", defendendo um cessar-fogo sustentado, acesso humanitário e uma solução pacífica e duradoura. Jaishankar reafirmou seu apoio à solução de dois Estados para a questão palestina.
O ministro também mencionou as tensões envolvendo o Irã, alertando para os riscos à navegação marítima no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, que chamou de "vitais para a economia global".
Sanções unilaterais, terrorismo e direito internacional
Jaishankar criticou duramente o aumento das sanções unilaterais, que classificou como "incompatíveis com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas". "Medidas injustificáveis não podem substituir o diálogo, nem a pressão pode substituir a diplomacia", afirmou.
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O ministro destacou também que "não pode haver justificativa para o terrorismo em qualquer forma", especificando que "o terrorismo transfronteiriço viola os princípios básicos das relações internacionais".
Reforma da ONU
A reforma do Conselho de Segurança da ONU foi um dos pontos centrais do discurso. "A cada dia que passa, a necessidade de um multilateralismo reformado só se intensifica. Isso inclui a reforma do Conselho de Segurança da ONU, tanto nas categorias permanente quanto não permanente. O atraso contínuo tem um custo alto", alertou.
O chanceler concluiu destacando que a "reforma está atrasada" e que o "diálogo é necessário".