
Vulcão ou aliado? A descoberta científica que pode ajudar a salvar o clima

A erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Haʻapai, no Pacífico Sul, em janeiro de 2022, revelou um mecanismo natural inesperado que pode ajudar a mitigar o aquecimento global, conforme relatado pela Universidade de Copenhague.

Um estudo publicado em 7 de maio na revista Nature Communications concluiu que, além de liberar metano, o vulcão também ajudou a remover parte desse potente gás de efeito estufa. Analisando imagens de satélite, os pesquisadores detectaram grandes quantidades de formaldeído na pluma expelida pela erupção.
Em busca de uma explicação
Cientistas explicaram que, como o formaldeído só sobrevive por algumas horas, sua presença sugere que a nuvem vulcânica continuou a decompor o metano por uma semana após o evento.
Como possível explicação, foi proposto que átomos de cloro altamente reativos, gerados pela mistura de cinzas vulcânicas com água salgada liberada na estratosfera, foram os responsáveis pela decomposição do gás.
Esse mecanismo, semelhante a um descoberto anteriormente com aerossóis de sais de ferro sobre o Oceano Atlântico, surpreendeu os especialistas por ocorrer em condições estratosféricas muito diferentes.
Segundo estimativas, a oxidação dos átomos de cloro removeu cerca de 900 toneladas métricas de metano por dia, em comparação com uma emissão total de aproximadamente 330 quilotons. Essa descoberta pode ser promissora para o desenvolvimento de tecnologias capazes de acelerar artificialmente a remoção do metano.

