Kremlin expõe mais uma vez sua condição para negociar com Kiev

As tropas ucranianas devem cessar-fogo e deixar o Donbass, afirmou o porta-voz da presidência russa.

O Kremlin reiterou nesta quarta-feira (13) sua principal condição para manter negociações com o regime de Kiev, ressaltando que as tropas ucranianas devem cessar fogo e deixar o território do Donbass.

"Para que haja um cessar-fogo e se abra um caminho para negociações de paz em escala completa, […] Zelensky deve ordenar às Forças Armadas da Ucrânia que cessem fogo e abandonem o território do Donbass, o território das regiões russas", declarou o porta-voz da presidência, Dmitry Peskov.

O porta-voz destacou que, quando isso ocorrer, "será estabelecido um cessar-fogo" e as partes poderão "iniciar negociações com tranquilidade que, aliás, inevitavelmente serão muito complexas e incluirão muitos detalhes importantes".

Peskov também afirmou que Moscou continua o diálogo com Washington sobre o tema por meio dos canais existentes. "Esses contatos seguem ativos. E, como atuam como intermediários, também são utilizados para a troca de informações com a parte ucraniana", concluiu.

Garantir a segurança da população de língua russa

A retirada das tropas de Kiev das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk — bem como das províncias de Zaporozhie e Kherson, todas incorporadas à Rússia após referendos populares em 2022 — é uma das condições centrais da Rússia para resolver o conflito.

Como afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o principal objetivo da operação militar especial é "garantir a segurança das pessoas que viviam e vivem no leste da Ucrânia, que se encontravam realmente em perigo de morte".

Vladimir Putin tem afirmado repetidamente que seu país está empenhado em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, o presidente russo enfatizou que, em primeiro lugar, é preciso garantir a segurança da Rússia a longo prazo; por isso, é importante eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou percebe como uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

Além disso, a proposta de Moscou prevê que Kiev reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como entidades da Federação Russa. Também devem ser garantidas a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.