Ex-porta-voz de Zelensky afirma que ele 'concordou em entregar Donbass' à Rússia em 2022

Naquele ano, nas negociações de Istambul, as partes ucraniana e russa chegaram a um entendimento básico para um acordo de paz; no entanto, Kiev se retirou das negociações depois que Boris Johnson prometeu a Kiev o apoio do Ocidente no conflito contra a Rússia.

Yulia Mendel, ex-porta-voz de Vladimir Zelensky, afirmou em uma entrevista recente com o jornalista norte-americano Tucker Carlson que, durante as negociações entre Kiev e Moscou realizadas em Istambul em 2022, o líder do regime ucraniano estava disposto a abrir mão do território do Donbass. A região inclui as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

Mendel lembrou que, como resultado das negociações em Istambul, as partes estiveram prestes a fechar um acordo bilateral.

"Conversei com pessoas que representavam a Ucrânia nas negociações de Istambul em 2022 e elas me explicaram em detalhes que haviam acordado tudo e, além disso — o que é muito importante —, disseram que Zelensky pessoalmente concordou em entregar Donbass", afirmou.

Mendel teve dificuldade em acreditar, mas garantiram-lhe que Zelensky concordou em abrir mão desse território "porque isso significaria o fim da guerra". No entanto, "agora ele se apresenta diante de milhões de pessoas dizendo: 'Não posso entregar o Donbass'", criticou.

Na opinião de Mendel, essa inconsistência na postura de Zelensky se deve ao fato de que o que ele busca não é a paz, mas lucrar com o conflito armado com a Rússia e prolongá-lo a todo custo para não acabar cometendo um "suicídio político".

Garantir a segurança da população de língua russa

A retirada das tropas de Kiev das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk — bem como das províncias de Zaporozhie e Kherson, todas incorporadas à Rússia após referendos populares em 2022 — é uma das condições centrais da Rússia para resolver o conflito.

Como afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o principal objetivo da operação militar especial é "garantir a segurança das pessoas que viviam e vivem no leste da Ucrânia, que se encontravam realmente em perigo de morte".

Vladimir Putin tem afirmado repetidamente que seu país está empenhado em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, o presidente russo enfatizou que, em primeiro lugar, é preciso garantir a segurança da Rússia a longo prazo; por isso, é importante eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou percebe como uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

Além disso, a proposta de Moscou prevê que Kiev reconheça esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como entidades da Federação Russa. Também devem ser garantidas a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.