A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e animais ao bloco por não atender às regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão foi publicada nesta terça-feira (12) e entra em vigor em 3 de setembro.
Segundo apuração do portal g1, a atualização da lista define quais países poderão manter as exportações ao mercado europeu. O Brasil constava na relação anterior, divulgada em 2024, mas acabou excluído após avaliação das autoridades do bloco.
De acordo com informações citadas pela reportagem, a União Europeia alegou que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados produtos antimicrobianos na criação de animais.
Os antimicrobianos são substâncias utilizadas no tratamento e na prevenção de infecções em animais. Pelas normas europeias, é proibido o uso desses produtos para estimular crescimento ou elevar a produção pecuária. O bloco também veta a utilização de medicamentos considerados essenciais para tratamentos humanos.
A medida faz parte da política europeia de combate à resistência microbiana e à redução do uso de antibióticos na produção animal.
Segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, a União Europeia representa o terceiro principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Considerando todas as carnes, o bloco ocupa a segunda posição entre os mercados compradores.
A decisão europeia ocorre menos de duas semanas após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, implementado em 1º de maio. O tratado ainda aguarda análise judicial no continente europeu.
O acordo enfrenta críticas de agricultores e grupos ambientalistas europeus, sobretudo na França, que questionam regras de concorrência e padrões sanitários.