
O que se sabe sobre o hantavírus: Cepa letal mantém mundo em alerta

O recente surto de hantavirose da cepa Andes no cruzeiro MV Hondius, que causou a morte de três pessoas e deixou vários passageiros com sintomas, mantém o mundo em alerta por seu potencial letal. A embarcação chegou no domingo (10) na ilha de Tenerife, na Espanha.
Estamos diante de uma nova pandemia como a da covid-19?
Embora a maioria dos hantavírus seja transmitida de animais para humanos, a cepa Andes pode se espalhar entre pessoas, alertam especialistas da Virginia Tech. Atualmente, não há tratamento específico para a infecção, e a assistência médica é direcionada apenas aos sintomas.

Diante das comparações com o início da pandemia de covid-19 em 2020, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) pediu à sociedade que "não entre em pânico".
"Não queremos tratar isso como se fosse covid nem causar pânico público. Queremos aplicar os protocolos para hantavírus que se mostraram eficazes para conter surtos no passado", declarou Jay Bhattacharya, vice-diretor interino do órgão, em entrevista à CNN.
« Entenda o que é o hantavírus, doença ligada a mortes em cruzeiro que saiu da Argentina »
O cruzeiro MV Hondius foi evacuado. E agora?
Enquanto isso, o cruzeiro MV Hondius, que havia partido de Ushuaia (Argentina) em 1º de abril, chegou no porto de Granadilla, na ilha canária de Tenerife (Espanha), de onde está sendo realizada uma evacuação para repatriar as quase 150 pessoas que estavam a bordo.
A França isolou cinco cidadãos repatriados e confirmou o primeiro caso positivo, enquanto as autoridades sanitárias dos EUA confirmaram a chegada de 17 americanos evacuados, um dos quais testou positivo. Por outro lado, um agente da Guarda Civil espanhola morreu vítima de um infarto durante a operação de desembarque.
O paciente zero do novo surto
O paciente zero do recente surto foi identificado como Leo Schilperoord, um ornitólogo neerlandês de 70 anos que morreu a bordo do cruzeiro pouco depois de começar a sentir febre, dores de cabeça e de estômago e diarreia. Sua esposa morreu poucas semanas depois em um aeroporto, enquanto retornava ao seu país.
O casal fazia uma viagem de cinco meses pela América do Sul, motivada por sua paixão por aves. Chegaram à Argentina em 27 de novembro de 2025, percorreram Chile e Uruguai, e retornaram ao território argentino no final de março.
No dia 27 daquele mês, os Schilperoord visitaram o lixão de Ushuaia em busca do raro caracará-de-garganta-branca.
Existe a possibilidade de que ali tenham inalado partículas de fezes de rato-de-cauda-longa, transmissores da cepa Andes do hantavírus. Quatro dias depois, em 1º de abril, embarcaram no cruzeiro MV Hondius, onde Leo começou a passar mal.
Onde se originou?
Consequentemente, o lixão da cidade se tornou um dos pontos-chave da investigação do surto, de acordo com o jornal espanhol El País.
No entanto, a variante Andes Sul, detectada no cruzeiro, está associada ao rato-de-cauda-longa presente em províncias mais ao norte, como Chubut, Río Negro e Neuquén.
Embora exista na Terra do Fogo uma subespécie desse roedor que possa atuar como reservatório, até agora não há evidências que confirmem essa hipótese, explica o jornal.
Por sua vez, o governo da Terra do Fogo sustenta que a possibilidade de a província ser o foco "é praticamente nula" e pede que a investigação se concentre em zonas endêmicas do Chile e de outras províncias argentinas, onde o hantavírus é endêmico. O alerta ocorre na temporada mais letal de hantavírus do país, com 101 infectados e 32 mortos.

