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Entenda o que é o hantavírus, doença ligada a mortes em cruzeiro que saiu da Argentina

Transmitida por roedores silvestres, a infecção pode evoluir para quadros pulmonares ou hemorrágicos graves e exige hospitalização em UTI por não haver tratamento específico.
Entenda o que é o hantavírus, doença ligada a mortes em cruzeiro que saiu da ArgentinaGettyimages.ru

Um recente surto de hantavírus a bordo de um cruzeiro que navegava pelo Atlântico, no trajeto entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, reacendeu a preocupação global sobre uma doença pouco conhecida, mas potencialmente fatal.

O episódio, que causou a morte de três pessoas e deixou ao menos outros três passageiros com sintomas, trouxe o debate sobre os riscos de contágio e a gravidade da doença para o centro do cenário sanitário internacional.

O que é hantavírus?

O hantavírus é uma doença viral aguda causada por patógenos transmitidos por roedores silvestres. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a infecção pode se manifestar de duas formas principais em humanos: a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR) ou a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH) — esta última, a mais frequente nas Américas. O vírus é encontrado na urina, fezes e saliva de roedores específicos, que atuam como portadores sem apresentar sintomas.

Como é transmitido?

A transmissão ocorre, predominantemente, pela inalação de poeira contaminada em ambientes fechados, como depósitos, cabanas ou celeiros. O contágio também pode acontecer por contato direto com os excretas do animal ou, em casos menos comuns, por mordeduras e arranhões. As autoridades de saúde reforçam, contudo, que o vírus não é transmitido de pessoa para pessoa.

Sintomas

O período de incubação varia de uma a seis semanas. Inicialmente, os sintomas assemelham-se a um quadro gripal severo, incluindo febre, calafrios, dores de cabeça intensas, dores nas costas, náuseas e mal-estar geral. No caso da síndrome pulmonar, a evolução é rápida: entre o quarto e o décimo dia, o paciente pode apresentar tosse, dificuldade respiratória aguda e acúmulo de líquido nos pulmões. A gravidade é alta, com uma taxa de letalidade de cerca de 38% entre aqueles que desenvolvem sintomas respiratórios severos.

Já na forma de febre hemorrágica, o quadro pode evoluir para visão turva, vermelhidão nos olhos, erupções cutâneas e, em estágios avançados, choque, hemorragias internas e insuficiência renal aguda.

Tratamento

Como ainda não existe um tratamento específico para o vírus, o protocolo médico baseia-se no suporte intensivo, com a hospitalização frequente de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para o controle dos sintomas.