O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, voltou a criticar a decisão da União Europeia de proibir totalmente, a partir de 2027, a importação de gás russo para os países do bloco, tanto por gasoduto quanto na forma liquefeita (GNL).
"Segundo a decisão da UE, o fornecimento de gás terminará em 2027. Ainda podemos fazer algumas reservas", afirmou no domingo, durante entrevista coletiva após visita a Moscou e reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.
Ao mesmo tempo, Fico lembrou que Bratislava apresentou uma ação contra a medida, afirmando não saber se o tribunal responsável pelo caso irá se manifestar até o ano que vem. O líder eslovaco também reafirmou a posição oficial do país: "Vamos diversificar as opções de abastecimento de todos os combustíveis, mas também deixemos aberta a possibilidade no que diz respeito ao petróleo e ao gás russos".
Fico destacou também que há informações de que "os americanos têm um enorme interesse em comprar todas as infraestruturas de trânsito". "Isso vai ser muito divertido, realmente. Então os russos venderão gás e petróleo aos americanos a preços normais, e os americanos nos venderão esses mesmos produtos a preços exorbitantes. Será que somos tão ingênuos?", questionou.
- No final de janeiro, a Comissão Europeia (CE) adotou formalmente um regulamento para eliminar gradualmente as importações de gás russo. A proibição total se aplicará às importações de GNL a partir do início de 2027 e às de gasoduto a partir do outono (hemisfério norte) de 2027.
- Fico anunciou, em meados de abril, uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia em resposta à proibição. Segundo o premiê, a CE sabia que alguns países se opunham à norma e, para evitar a unanimidade, a aprovou por maioria. O governo eslovaco classifica a decisão como "violação flagrante de todos os princípios nos quais se baseiam os tratados da UE".