Alemanha 'está tomando um caminho perigoso demais', alerta porta-voz do Kremlin

Dmitri Peskov lamentou que no país europeu exista "uma geração de políticos" que prefere esquecer o papel do Exército Vermelho na derrota do nazismo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou neste sábado (9) que, esta é a primeira vez na história em que a Alemanha "não discute nem diz nada" sobre o papel da União Soviética "em dias como estes", em referência às comemorações do Dia da Vitória na Grande Guerra Patriótica.

"Lá chegaram até a perguntar quem venceu, quem libertou a Alemanha do nazismo", afirmou Peskov em entrevista ao jornalista russo Pavel Zarubin. "O porta-voz de imprensa ou seu adjunto sequer encontraram forças para mencionar a União Soviética", acrescentou.

"É muito ruim que hoje exista na Alemanha uma geração de políticos assim. Isso não faz bem à Alemanha", declarou. "Gostaria de esperar que ainda haja pessoas no país que conservem a lucidez e estejam dispostas a dar à história o que lhe corresponde, a reconhecer os feitos daqueles que, aliás, junto com os antifascistas alemães, salvaram este país da peste marrom", completou.

"Está tomando um caminho perigoso demais. Não é a primeira vez", afirmou ao responder a uma pergunta sobre se a Alemanha aposta em uma via arriscada ao se recusar a reconhecer esses fatos.

Nesta semana, a polícia de Berlim emitiu uma ordem geral que proíbe o uso de uniformes históricos, insígnias e outros símbolos durante os atos comemorativos do 81º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazista.

A medida está em vigor desde a manhã de sexta-feira (8) até a noite de sábado (9) e proíbe, entre outras coisas, o porte de uniformes e insígnias militares; a exibição da fita de São Jorge, das bandeiras e emblemas da URSS, Rússia e Belarus; além da reprodução e execução de marchas e canções russas e soviéticas dos anos da guerra.

Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou que o chanceler alemão, Friedrich Merz, se esqueceu de quem foi o agressor e quem foi o libertador na Segunda Guerra Mundial. "Mais uma vez, não há outra forma de chamar essa política senão de vergonhosa. É uma zombaria à memória de milhões de vítimas do nazismo", afirmou.

Ela também acusou as autoridades alemãs de promoverem "tentativas cínicas e imorais" de reescrever a história "em favor de uma conjuntura política russofóbica".