Mitos mais preocupantes sobre hantavírus são verdadeiros?

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O hantavírus costuma estar associado a ideias equivocadas sobre onde aparece, como é transmitido e o quão evitável é a infecção. Organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA concordam que o principal risco é o contato com roedores infectados, especialmente por meio de excrementos, e que a prevenção depende, sobretudo, do controle de roedores e da limpeza segura.

Os hantavírus são um grupo de vírus zoonóticos que infectam naturalmente roedores e que ocasionalmente são transmitidos aos humanos, podendo provocar doenças graves e frequentemente fatais, embora a gravidade varie conforme o tipo de vírus e a localização geográfica.

Nas Américas, sabe-se que a infecção pode causar a síndrome pulmonar por hantavírus (SPHV), uma condição de rápida progressão que afeta os pulmões e o coração. Já na Europa e na Ásia, os hantavírus são apontados como causadores da febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.

Mitos frequentes

Como consequência, atividades que envolvem contato com roedores, como a limpeza de espaços fechados ou mal ventilados, agricultura, trabalhos florestais e dormir em locais infestados por roedores, aumentam o risco de exposição. Em suas recomendações de limpeza, os CDC alertam explicitamente para não varrer nem aspirar excrementos de roedores, pois isso pode levantar poeira contaminada. A recomendação é umedecer previamente a área com desinfetante ou água sanitária antes da limpeza.

Além disso, não é recomendado manter roedores como animais de estimação, incluindo ratos, em famílias com crianças de até 5 anos, mulheres grávidas ou pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, já que esses grupos apresentam maior risco de desenvolver doenças graves.

Assim, pessoas que manipulam roedores e limpam locais frequentados por eles, como controladores de pragas e cuidadores de animais, apresentam maior risco de exposição ao hantavírus e devem tomar precauções. Da mesma forma, quem trabalha com roedores vivos ou mantém esses animais como pets pode se expor ao hantavírus por meio de mordidas ou ao entrar em contato com saliva, urina, fezes ou forração contaminada de animais infectados.

Por isso, é fundamental uma anamnese detalhada, com atenção especial à possível exposição a roedores, aos riscos ocupacionais e ambientais, ao histórico de viagens e ao contato com casos conhecidos em áreas onde o hantavírus circula.

Nos seres humanos, os sintomas geralmente começam entre uma e oito semanas após a exposição, dependendo do tipo de vírus, e normalmente incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náusea ou vômito.

Na síndrome pulmonar por hantavírus (SPHV), a doença pode evoluir rapidamente e provocar tosse, dificuldade para respirar e acúmulo de líquido nos pulmões. Já na febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), os estágios posteriores podem incluir pressão arterial baixa, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal.