Quedas acidentais são sinal de risco grave para saúde mental; entenda

A análise de quase 3 milhões de pessoas aponta que incidentes repetidos após os 40 anos podem sinalizar problemas neurológicos.

Pessoas que sofrem quedas acidentais na idade adulta podem ter um risco muito maior de desenvolver demência, sugere uma análise de cinco estudos que envolveu quase 3 milhões de pessoas, informou o Science Alert nesta quinta-feira (7).

Pesquisadores da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Changchun descobriram que mesmo uma única queda após os 40 anos estava associada a um aumento de aproximadamente 20% no risco de um diagnóstico futuro. Para pessoas que sofrem quedas repetidas, a probabilidade de desenvolver demência aumenta em 74%, conforme o artigo publicado na revista The Journal of Post-Acute and Long-Term Care Medicine (JAMDA).

Qual é a relação entre quedas e demência?

Os especialistas apontam três possíveis razões para essa relação, que podem, inclusive, atuar de forma conjunta.

A primeira é a mais direta: lesões cranianas causadas por quedas podem danificar diretamente o tecido cerebral.

Em segundo lugar, problemas de coordenação costumam ser os primeiros sinais de alerta de mudanças neurodegenerativas, que os médicos diagnosticam oficialmente anos depois.

A terceira razão é psicológica: após uma queda, as pessoas tendem a se tornar menos ativas e a sair menos de casa por medo de se lesionarem novamente, e a inatividade acelera o envelhecimento cerebral.

Os autores do estudo ressaltam que as quedas não devem ser vistas como mero desajeito. Eles sugerem que os médicos utilizem o histórico de quedas como um indicador para uma avaliação precoce das capacidades cognitivas dos pacientes. A detecção e a prevenção antecipadas podem retardar a progressão da doença.