Em declaração divulgada pela imprensa chinesa na quarta-feira (6), o governo chinês criticou duramente o lançamento de um míssil superfície-superfície por forças japonesas em território filipino, classificando a ação como uma ruptura com a postura pacifista adotada por Tóquio após a Segunda Guerra Mundial.
Os disparos ocorreram durante os exercícios conjuntos "Balikatan 2026", em manobra liderada por Estados Unidos e Filipinas.
Pequim destacou que esta foi a primeira vez em mais de 80 anos que o Japão empregou no exterior um armamento com capacidade ofensiva.
O artefato utilizado, um Type 88, pode operar em funções defensivas e ofensivas, mas sua utilização fora do território japonês configura, para os chineses, uma demonstração de força.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que a iniciativa representa um afastamento concreto dos princípios que limitavam as forças armadas japonesas a ações estritamente defensivas.
"As forças de direita do Japão estão pressionando por um processo acelerado de 'remilitarização'", declarou.
Lin acrescentou que Tóquio frequentemente ultrapassa sua política de defesa e desrespeita restrições legais internas e internacionais.
Ele também fez referência ao histórico de invasões japonesas no Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas. "O antigo agressor não apenas falhou em refletir profundamente sobre seus crimes históricos, mas despachou forças militares para o exterior e lançou mísseis ofensivos sob o pretexto da chamada 'cooperação em segurança'", disse.
Escalada neo-militarista
A diplomacia chinesa caracterizou o movimento como parte de um neo-militarismo que ganha força e coloca em risco a estabilidade regional.
A crítica se concentra no contraste entre o limite constitucional histórico do Japão e a operação com um míssil que, embora de dupla finalidade, teve seu emprego externo interpretado como uma guinada ofensiva.
Pequim sustenta que a ação nas Filipinas evidencia a intensificação de uma corrida armamentista impulsionada por Tóquio.
O teste balístico ocorre em meio a tensões persistentes no Mar do Sul da China e à ampliação de exercícios militares multinacionais na região, com presença ativa de Washington e seus aliados.