A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) afirmou, nesta quarta-feira (6), na ONU, que não está vinculada "em nenhuma circunstância" ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e acusou o Ocidente de "mau comportamento" ao não seguir os mesmos princípios que exigem de Pyongyang, segundo a imprensa estatal KCNA.
De acordo com a diplomacia local, países como os Estados Unidos corroem o sistema internacional de não proliferação com "críticas maliciosas" e práticas consideradas hipócritas pela nação liderada por Kim Jong-un.
O representante permanente da RPDC nas Nações Unidas, Kim Song, afirmou que a 11ª Conferência de Revisão do TNP — em andamento na ONU — "perdeu sua missão original e se transformou em um fórum para críticas a países soberanos".
Questão de direito internacional
O diplomata sustentou que a RPDC deixou o TNP de maneira legal, com base no Artigo X do tratado, e condenou as tentativas ocidentais de exigir o cumprimento de obrigações por parte de um país que não integra o acordo.
Segundo ele, as críticas representam "violação flagrante do espírito do Tratado e um total desrespeito pelos propósitos e princípios do direito internacional".
Padrões duplos de Washington
Song também acusou Washington de aplicar padrões duplos na política internacional. "Antes de enfatizar a questão do cumprimento das obrigações do tratado da RPDC, os Estados Unidos devem primeiro responder se os mesmos padrões se aplicam ao desempenho de suas obrigações sob os vários tratados internacionais", declarou.
Pyongyang argumentou que o enfraquecimento do regime de não proliferação decorre não da existência de Estados nucleares fora do tratado, mas do comportamento das próprias potências signatárias.
Ao final da declaração, o diplomata reafirmou que "o estatuto da RPDC como Estado com armas nucleares não é alterado por argumentos retóricos externos ou desejos unilaterais".