Relações entre potências nucleares estão em 'estado crítico', afirma diplomacia russa

Representante da Federação da Rússia na 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares defendeu mecanismos para evitar conflitos diretos.

As relações entre potências nucleares estão 'em estado crítico', afirmou, nesta terça-feira (5), o chefe da delegação russa na 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), embaixador itinerante Andrey Ivanovich Belousov. Segundo ele, o cenário internacional atual é marcado por crescente instabilidade.

"As preocupações com a escalada dos riscos estratégicos e o aumento da ameaça nuclear são bem fundamentadas", declarou. O diplomata atribuiu o agravamento da situação à atuação do Ocidente.

De acordo com Belousov, "os países ocidentais optaram por continuar sua trajetória de busca por uma superioridade militar esmagadora", o que teria impacto "extremamente negativo sobre a estabilidade estratégica".

Escalada nuclear

O diplomata também afirmou que avanços históricos no desarmamento estão sendo revertidos. "Estados Unidos, França e Reino Unido começaram a rever as conquistas positivas no desarmamento nuclear dos últimos 50 anos", disse.

"Desconsiderando o TNP, estão expandindo e aumentando irrestritamente seus arsenais", complementou, ao mencionar ainda o envolvimento de aliados não nucleares em esquemas de dissuasão.

Rússia contra a guerra

O representante russo reiterou que a posição oficial de Moscou é pacifista. "A Rússia compreende plenamente as consequências de uma guerra nuclear e permanece convicta de que ela jamais deve ocorrer", disse.

O embaixador também alertou para o risco de confronto direto entre potências. Segundo ele, a escalada de tensões e ações do Ocidente "aumentam o risco de um confronto militar direto entre potências nucleares".

Belousov concluiu defendendo que o avanço no desarmamento depende de mudanças mais amplas no ambiente internacional. "Sem esforços prévios nessa direção, será impossível avançar significativamente rumo a 'zero armas nucleares'".