ONU pede libertação 'imediata e incondicional' de Thiago Ávila, brasileiro detido por Israel

O Escritório de Direitos Humanos da organização também pediu que outro ativista, o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, seja liberado. O organismo internacional solicitou uma investigação sobre denúncias relacionadas a maus-tratos durante a detenção.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (6) a libertação "imediata e incondicional" do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos por Israel após participarem de uma flotilha humanitária com destino à Faixa de Gaza. O organismo também solicitou investigação sobre denúncias de maus-tratos durante a detenção.

Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, os dois permanecem presos em Ashkelon, no sul de Israel, desde a interceptação da flotilha por forças israelenses na costa da ilha grega de Creta, em 30 de abril. As detenções foram prorrogadas até, pelo menos, o próximo domingo (10).

Em nota, o porta-voz do escritório, Thameen Al-Kheetan, afirmou que "Israel deve libertar imediata e incondicionalmente os membros da Flotilha Global Sumud Saif Abu Keshek e Thiago Ávila", afirmando que eles continuam detidos "sem acusações". O representante declarou ainda que "não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza".

Denúncias e investigação

Advogados dos ativistas relataram "graves maus-tratos" e informaram que ambos iniciaram greve de fome desde a captura. A ONU classificou os relatos como "perturbadores" e pediu apuração, afirmando que "os responsáveis devem ser levados à justiça".

O porta-voz também apelou para que Israel encerre o uso da "detenção arbitrária" e de uma legislação antiterrorismo considerada "ampla e vagamente definida", segundo o escritório.

Israel investiga os dois por supostos vínculos com o grupo Hamas, segundo a mídia local. Ávila é apontado como suspeito de atividade ilegal com entidades ligadas ao grupo, enquanto Abu Keshek é investigado por possível ligação com uma organização considerada terrorista. Ambos negam as acusações.

Israel alega conexão com "terroristas"

Em vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em português, Rafael Rozenszajn, comentou a detenção de Ávila.

"A investigação envolve suspeitas de ligação e possível filiação com organizações terroristas, auxílio ao inimigo em tempo de guerra e vínculo com grupos ligados ao Hamas. Inclusive, o brasileiro já se vinculou ao grupo PCPA, a Conferência Popular dos Palestinos no Exterior, que é uma organização associada ao Hamas e considerada terrorista por Israel e pelos Estados Unidos", afirmou.

Na declaração, o porta-voz destacou também que Ávila "tem advogado, tem direito à ampla defesa, recebe acompanhamento médico e passa por revisão judicial periódica".