Merz tenta reduzir tensão com Trump após atrito com Washington

O chanceler alemão adotou tom conciliador depois de críticas do presidente dos Estados Unidos e de novas ameaças comerciais contra a União Europeia.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, tentou reduzir a tensão com Donald Trump após atrito com Washington, informou o portal Politico nesta terça-feira (5). Segundo o veículo, Merz voltou a adotar uma estratégia de fazer declarações alinhadas ao que o presidente dos Estados Unidos costuma defender.

A crise começou na semana passada, quando o chanceler afirmou que as autoridades iranianas estavam "humilhando" os EUA e demonstrando ser "evidentemente mais fortes do que se pensava". Ele também disse estar "desiludido" com a abordagem adotada por Washington e Israel contra o Irã.

Trump reagiu dizendo que Merz não entendia a situação e ameaçou retirar da Alemanha "muito mais de 5 mil" militares americanos. A Casa Branca também anunciou que pretende elevar para 25% as tarifas sobre automóveis e caminhões importados da União Europeia.

Diante das ameaças, Merz "ofereceu uma resposta surpreendentemente conciliadora: Trump, em essência, tem razão", escreveu o Politico.

O chanceler afirmou que a posição de Trump decorre da resistência da UE em assinar o acordo comercial fechado no verão de 2025 entre Bruxelas e Washington, em Turnberry, na Escócia.

"(Trump) quer atingir toda a Europa. E, francamente, neste ponto ele tem certa razão ao se sentir decepcionado pelo fato de que, na União Europeia, ainda não chegamos a uma conclusão sobre o acordo de Turnberry, fechado em agosto do ano passado, na Escócia. Até hoje ainda há resistência a esse acordo no Parlamento Europeu", disse o alemão.

Segundo Merz, Trump "está ficando impaciente". O chanceler afirmou que os europeus continuam apresentando novas condições, enquanto os Estados Unidos já têm o texto pronto.

"Os americanos já o têm pronto e os europeus não. Por isso, desejo que cheguemos a um acordo o mais rápido possível", declarou.

Merz disse ainda que não compartilha da avaliação de que tarifas sejam positivas, mas afirmou que a UE precisa lidar com a posição atual do governo americano.

"Sabemos que esta é uma situação difícil. Não compartilhamos a avaliação de que as tarifas sejam algo bom. Mas temos que conviver com o fato de que os Estados Unidos e o governo americano atualmente veem isso de outra maneira. Portanto, é preciso se esforçar para encontrar soluções", afirmou.

O chanceler também disse que deverá discutir o tema diretamente com Trump nos próximos meses. "Teremos oportunidades de conversar. Ainda nos veremos várias vezes este ano. Há algumas datas já definidas", declarou.