O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou nesta segunda-feira (4) que os países europeus "captaram o recado" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e passaram a garantir a aplicação de acordos bilaterais sobre o uso de bases militares, informou a agência Reuters.
A declaração ocorreu durante uma cúpula da Comunidade Política Europeia, na Armênia, em meio a críticas de Washington à falta de apoio europeu na guerra contra o Irã.
"Sim, houve certa decepção do lado dos Estados Unidos, mas os europeus ouviram", disse Rutte à imprensa. "Agora estão garantindo que todos os acordos bilaterais sobre bases sejam implementados", acrescentou.
As declarações vieram após Trump acusar aliados da OTAN de não fazerem o suficiente para apoiar os EUA no conflito com a República Islâmica. Como sinal de insatisfação, o presidente americano anunciou planos para retirar 5 mil militares da Alemanha.
A medida foi anunciada pouco depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmar que os iranianos "estavam humilhando" Washington nas negociações para encerrar o conflito, que já dura dois meses.
Antes disso, a Espanha havia proibido o uso de bases militares em seu território para ações ligadas à guerra contra o Irã. Rutte, porém, disse que outros aliados estão atendendo a pedidos relacionados ao uso de bases e apoio logístico.
O chefe da OTAN citou Montenegro, Croácia, Romênia, Grécia, Itália, Reino Unido, França e Alemanha entre os países que, segundo ele, implementam essas solicitações.
Rutte também afirmou que "cada vez mais" países europeus estão posicionando meios como caçadores de minas e navios varredores perto do Golfo Pérsico, com o objetivo de se preparar para "uma próxima fase".
Segundo ele, vários governos também indicaram disposição para participar de uma missão destinada a garantir a liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz após o fim da guerra.
Divergências transatlânticas
As declarações ocorrem em meio a tensões dentro da OTAN e acríticas recorrentes de Trump ao bloco. O presidente americano já classificou a aliança como um "tigre de papel" e um aliado "decepcionante".
Trump também questionou a capacidade da organização e sugeriu a possibilidade de os Estados Unidos deixarem a OTAN. Desde o início do mandato, ele pressiona aliados a aumentarem os gastos em defesa e a apoiarem suas ações contra Teerã.
A disputa se intensificou depois que Merz disse estar "desiludido" com a abordagem adotada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O chanceler alemão defendeu que a União Europeia trabalhe por uma solução diplomática para o conflito.
Trump, por sua vez, defendeu suas ações contra a República Islâmica. Segundo ele, eram medidas "que outras nações — ou presidentes — deveriam ter tomado há muito tempo".
O presidente americano também criticou a Alemanha sob o governo de Merz. "Não é de estranhar que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", afirmou.