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Trump ameaça ancorar porta-aviões dos EUA nos arredores de Cuba

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O presidente cubano garantiu que, em caso de ataque, "nenhum agressor, por mais poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba".
Trump ameaça ancorar porta-aviões dos EUA nos arredores de CubaGettyimages.ru / Handout

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar na segunda-feira (4) que pretende enviar o porta-aviões USS Abraham Lincoln para perto de Cuba depois que o conflito com o Irã for resolvido.

A declaração surgiu em entrevista ao apresentador Hugh Hewitt, da Salem News, ao ser questionado se pretendia agir em relação a Cuba da mesma forma que fez com a Venezuela.

"Não quero falar muito sobre Cuba, exceto para dizer que talvez façamos isso na volta do Irã, quando terminarmos essa operação", disse o presidente.

"Mas vamos ancorar o porta-aviões Abraham Lincoln, o porta-aviões mais bonito que já vi na minha vida. Vamos ancorar o Abraham Lincoln a algumas centenas de metros da costa e observá-los enquanto tentam fazer alguma coisa", acrescentou.

  • O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou em 2 de maio que Donald Trump elevou as ameaças de agressão militar contra a ilha "a um nível perigoso e sem precedentes". Díaz-Canel exortou a comunidade internacional e o próprio povo norte-americano a "tomar nota" e decidir se permitirão "um ato criminoso tão drástico" destinado a satisfazer os interesses de "um grupo pequeno, mas rico e influente, sedento por vingança e dominação". 
  • O presidente cubano garantiu que, em caso de ataque, "nenhum agressor, por mais poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba", mas sim se deparará com "um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional".

Bloqueio econômico

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. A política foi reforçada pela Casa Branca com novas medidas coercitivas unilaterais.

Trump também já ameaçou tomar a ilha pela força em outras ocasiões. Segundo ele, Cuba foi "terrivelmente mal administrada" e tem um "sistema terrível".

Na semana passada, a Casa Branca anunciou novas sanções contra o governo cubano, dentro da estratégia "América Primeiro". O governo americano acusou Cuba de se aliar a "atores hostis" aos Estados Unidos.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu nas redes sociais e afirmou que as sanções "reforçam o brutal bloqueio genocida" contra a ilha. Para ele, a ordem executiva mostra a "pobreza moral" de Trump e seu "desprezo" pelo povo norte-americano e pela comunidade internacional.

Ameaças dos EUA a Cuba

  • Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região.
  • O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "capacidades militares e de inteligência sofisticadas" da Rússia e da China.
  • Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
  • A medida ocorre em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que sistematicamente rejeitou essas alegações e advertiu que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu na ocasião que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
  • Trump anunciou em 7 de março que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que a ilha está chegando "ao fim da linha".