
Petro: 'Uma agressão militar contra Cuba é uma agressão militar contra a América Latina'

O presidente colombiano, Gustavo Petro, comentou as recentes declarações de seu homólogo americano, Donald Trump, que ameaçou invadir Cuba e sugeriu o envio do porta-aviões Abraham Lincoln para as costas da ilha.

"Não concordo com uma agressão militar contra Cuba porque isso é uma agressão militar contra a América Latina. Já dissemos que o Caribe é uma zona de paz e isso deve ser respeitado", escreveu Petro nas redes sociais.
O presidente colombiano rejeitou o intervencionismo na ilha e enfatizou que os cubanos são os "únicos donos de seu país". Ele também afirmou que a paz no continente será uma realidade se "ninguém se propuser a se impor sobre os outros".
"Este continente é o continente da liberdade, não das invasões. Honra a José Martí [político e escritor cubano] e às repúblicas livres e soberanas da América Latina e do Caribe", concluiu.
Os EUA intensificam seus alertas, e Cuba responde.
Trump ameaçou repetidamente tomar a ilha pela força. Em sua opinião, Cuba tem sido "terrivelmente mal administrada" e possui um "sistema terrível". Em meio à sua ofensiva contra o Irã, o presidente sugeriu a possibilidade de abrir outra frente de conflito no Caribe. Nesta sexta-feira, ele afirmou que os Estados Unidos "tomarão o controle de Cuba quase imediatamente" usando o porta-aviões Abraham Lincoln, assim que este retornar do Irã.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse neste sábado que Trump intensificou as ameaças de agressão militar contra a ilha "a uma escala perigosa e sem precedentes" e instou a comunidade internacional e o próprio povo americano a "tomarem nota" e decidirem se permitirão "um ato criminoso tão drástico". Ele também afirmou que, em caso de ataque, "nenhum agressor, por mais poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba".
Ameaça dos EUA a Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando "estado de emergência nacional" devido à alegada "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e permitir o destacamento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nessas acusações, foram anunciadas tarifas sobre os países que vendem petróleo para Cuba, juntamente com ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio à escalada das tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado consistentemente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente cubano respondeu que "esta nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma cabala que sequestrou os interesses do povo americano para ganho puramente pessoal".
- Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança está chegando em breve a Cuba", acrescentando que o país está "chegando ao fim da linha".
- Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta severamente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
