O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou na segunda-feira (4) seu forte repúdio ao mercenarismo, denunciando que cerca de 7 mil colombianos estão combatendo em uma "guerra alheia" na Ucrânia, morrendo sem uma causa que justique seu envolvimento.
"Não queremos exportar a morte. Mercenários são proibidos por lei", escreveu Petro em rede social.
O presidente se refere à aprovação pelo Congresso colombiano de um projeto de lei que ratifica a Convenção Internacional contra o Mercenarismo, em dezembro de 2025, sancionada em março deste ano.
Contudo, especialistas apontam um impasse jurídico. Enquanto o governo da Colômbia classifica o movimento como exploração e tráfico humano, muitos combatentes não se enquadram tecnicamente na definição de mercenários, pois estão integrados às estruturas militares da Ucrânia e recebem remuneração oficial, como aponta o jornal colombiano The City Paper.
Estimativas indicam que a Colômbia é a nação com o maior contingente de soldados estrangeiros no país, representando cerca de 25% das forças estrangeiras de Kiev.
Não existem estatísticas oficiais disponíveis sobre a presença de combatentes estrangeiros na Ucrânia, porém, embora o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia já tenha apontado para ao menos 300 colombianos mortos em novembro de 2024. Em abril deste ano, foram contabilizados 438 "desaparecidos em combate".
O cenário é agravado por relatos de recrutamento enganoso, envolvendo promessas de trabalhos na construção civil ou segurança privada como pretexto para atrair aplicantes, convocados até mesmo por plataformas como o TikTok. Denúncias de que soldados enfrentam falta de suprimentos básicos e treinamentos insuficientes agravam o custo humano.
Petro já havia criticado duramente as condições desses combatentes, afirmando que eles são tratados como "carne de canhão" e até mesmo como uma "raça inferior" pelas forças ucranianas. Em dezembro, no contexto de aprovação da lei contra o mercenarismo, o presidente colombiano provocou o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, a "libertar" os colombianos "enganados".