Presidente latino-americano visita porta-aviões dos EUA e gera repúdio em seu país

A principal central sindical do Uruguai criticou Yamandú Orsi.

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, provocou uma onda de críticas depois de embarcar em um porta-aviões dos EUA que está realizando operações em águas próximas ao país sul-americano. "Orsi viajou em uma aeronave C-2 (...) dos EUA até o porta-aviões USS Nimitz, que navega na costa do Uruguai", revelou no sábado (2) o jornalista Eduardo Preve, acrescentando que o presidente de esquerda foi convidado pelo embaixador americano Lou Rinaldi.

Ele também explicou que o Nimitz é o porta-aviões americano em serviço ativo mais antigo e que conta com uma tripulação de 5.680 pessoas.

Imediatamente, o deputado da oposição Federico Casaretto denunciou que o governo "violou a Constituição" por não ter encaminhado ao Parlamento a autorização para que a aeronave militar estrangeira entrasse em território nacional.

O senador Sebastián Da Silva, por sua vez, concordou que a presença do porta-aviões é ilegal e alertou que o governo preferiu não tramitar a permissão "por vergonha", já que isso contradiz seus postulados de esquerda.

As críticas foram repetidas pelo Plenario Intersindical de Trabalhadores - Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), a central que reúne os sindicatos uruguaios, e que lamentou que esse episódio ocorra no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, renovou suas ameaças contra Cuba.

Também criticou o fato de Orsi ter visitado o porta-aviões nuclear "da marinha ianque", de forma semelhante ao que fizeram os presidentes do Chile, José Antonio Kast, e da Argentina, Javier Milei.

"Do movimento sindical uruguaio, defendemos que a solidariedade anti-imperialista e anticolonial continua sendo uma tarefa fundamental de nosso tempo", afirmou.