Dois mísseis atingiram um navio da Marinha dos EUA perto da cidade de Jask, localizada próxima ao Estreito de Ormuz, depois que a embarcação ignorou um aviso da Marinha iraniana enquanto se preparava para cruzar o estreito, informou a agência de notícias iraniana Fars nesta segunda-feira (4).
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Segundo a agência, o navio americano foi "incapaz de prosseguir" após os impactos e forçado a retornar. Nenhum outro detalhe sobre danos ou possíveis vítimas foi divulgado.
A Fars também observou que o Irã já declarou em outras ocasiões que "qualquer trânsito pelo Estreito de Ormuz sem permissão oficial do Irã é impossível" e que "qualquer desrespeito a este aviso" enfrentará "uma resposta decisiva" das Forças Armadas.
"Projeto Liberdade" de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no domingo (3) o "Projeto Liberdade", com finalidade de garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz. A operação deve começar nesta segunda-feira (4). Segundo o Trump, países sem envolvimento direto no conflito teriam pedido apoio dos EUA para liberar navios que permanecem retidos na área.
Em postagem na Truth Social, Trump disse que a missão pretende escoltar embarcações e tripulações para fora das zonas restritas, permitindo a retomada segura do comércio.
Ele afirmou ainda que os EUA vão empregar todos os esforços possíveis para garantir a saída desses navios, destacando o impacto da medida para o Irã, o Oriente Médio e os próprios Estados Unidos.
Novo regime de gestão
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que o líder supremo do país, Mojtaba Khameneí, estabeleceu um novo regime de gestão para o Golfo Pérsico.
De acordo com o comunicado oficial de Teerã, as novas regras de navegação tem o objetivo de transformar o controle de 2 mil quilômetros de fronteira marítima em um recurso para a economia iraniana.
Em 21 de abril, Trump anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, estabelecido em 7 de abril. Ele explicou que a decisão se devia ao fato de que, supostamente, o governo iraniano estaria "gravemente dividido" e de que o Paquistão havia solicitado a Washington que suspendesse seus ataques contra a República Islâmica "até que seus líderes e representantes pudessem apresentar uma proposta unificada".
Ele também informou que havia ordenado às Forças Armadas que mantivessem o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e permanecessem em estado de alerta e operacionais.
Em 18 de abril, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington levante completamente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado uma cooperação com o inimigo e o navio infrator será atacado", ressaltou a entidade.