
Bloqueio do Estreito de Ormuz ameaça indústria de IA

Embora a fase mais aguda do conflito entre Estados Unidos e Irã tenha passado, o bloqueio do Estreito de Ormuz segue causando impactos na economia mundial.
Além da alta no preço do petróleo e dos problemas no fornecimento de fertilizantes, outro recurso vital para a indústria de alta tecnologia está em risco: o hélio.
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O elemento é indispensável na produção de semicondutores, equipamentos médicos e sistemas de inteligência artificial. Extraído principalmente como subproduto da indústria de gás natural, o hélio tem o Catar como um de seus principais fornecedores.
Antes do conflito, o país era responsável por um terço do mercado mundial, mas suas exportações pelo Estreito de Ormuz estão praticamente paralisadas.
Após o ataque ao complexo de gás natural liquefeito (GNL) de Ras Laffan — o maior do mundo —, Doha declarou "força maior" e reduziu as exportações de hélio em 14%.
A tensão já fez o preço do recurso quase dobrar, mas o cenário pode piorar. Como o comércio de hélio baseia-se em contratos de longo prazo e o transporte de contêineres é lento, gargalos logísticos devem aumentar no futuro.

Pilar da economia global
Na última década, os semicondutores tornaram-se um pilar da economia global, viabilizando desde tecnologias cotidianas até setores, como exploração aeroespacial, modelos de inteligência artificial, centros de dados e computação científica.
Contudo, toda essa infraestrutura depende do hélio, elemento indispensável em praticamente todas as etapas da produção de chips. A projeção é de que a demanda por esse recurso cresça exponencialmente, acompanhando a sofisticação dos semicondutores.
Segundo relatório de 2024 da consultoria de mercado IDTechEx, a demanda por hélio da indústria de semicondutores deve crescer mais de cinco vezes na próxima década.
