
'Anel de banheira' em Marte reaviva teoria de antigo oceano no planeta vermelho

A descoberta de uma enorme formação geológica em Marte pode revelar novas evidências da existência de um oceano tão vasto que cobriu um terço da superfície do planeta vermelho há bilhões de anos, informou o Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech).
Embora se aceite que Marte abrigou água no passado, ainda não está claro se esta se limitou a lagos e rios ou se chegou a formar oceanos permanentes. Pesquisas anteriores buscaram evidências de um oceano marciano em antigas linhas costeiras. No entanto, estas deveriam se localizar a uma altitude uniforme, como acontece com o nível do mar na Terra.
Em busca de uma alternativa

Um novo estudo publicado na revista Nature se concentrou em identificar estruturas mais duráveis que circundassem as costas, como uma plataforma plana. Os pesquisadores analisaram, por meio de simulações computacionais, quais traços geológicos permaneceriam se os oceanos terrestres desaparecessem.
Os modelos mostraram uma faixa plana de terra ao redor dos continentes, comparável ao anel de uma banheira quando é esvaziada. Essa formação geológica chama-se plataforma continental e costuma perdurar através do tempo e das mudanças do nível do mar. Ao utilizar os dados topográficos de Marte obtidos por orbitadores, os cientistas encontraram uma estrutura análoga no hemisfério norte do planeta.
Além disso, observaram que antigos deltas de rios marcianos coincidem com essa faixa, o que reforça a hipótese de que ali existiu um oceano estável. Esse tipo de formação não se gera em lagos, o que sugere que o corpo d'água foi extenso.
O 'anel de banheira' poderá ser confirmado nos próximos anos. O rover Rosalind Franklin da Agência Espacial Europeia, cujo lançamento está previsto para o final de 2028 e sua chegada a Marte em 2030, explorará o hemisfério norte com instrumentos capazes de analisar a superfície e o subsolo. "Nos dará uma resposta definitiva", garantiu o pesquisador Abdallah Zaki.
