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Postura da Alemanha que teria desencadeado retirada das tropas americanas

O Departamento de Guerra confirmou que espera que o projeto seja concluído nos próximos 6 a 12 meses.
Postura da Alemanha que teria desencadeado retirada das tropas americanasGettyimages.ru / picture alliance / Contributor

A recente decisão de Donald Trump de retirar 5 mil soldados americanos estacionados na Alemanha está relacionada à postura crítica de Berlim em relação à ofensiva de Washington contra o Irã, informou neste sábado (2) o The New York Times.

Fontes com conhecimento do assunto afirmaram ao jornal, em caráter confidencial, que a medida visa punir a Alemanha por não contribuir mais com o esforço bélico, conforme exigido pelo presidente americano aos seus aliados, e por criticar a estratégia do ocupante da Casa Branca.

Além disso, o jornal relata que os líderes alemães inicialmente subestimaram a gravidade das ameaças de Trump, acreditando que se tratava mais de retórica do que de uma verdadeira intenção de agir. A confiança da Alemanha na permanência das tropas americanas em seu território baseava-se na cooperação militar histórica e na percepção de que Washington precisava dessa base estratégica para suas operações na Europa.

Retirada de tropas de um país-chave da OTAN

O Departamento de Guerra confirmou que a retirada de 5 mil soldados deverá ser concluída nos próximos 6 a 12 meses.

Por sua vez, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, minimizou o impacto do anúncio e destacou que a presença de tropas dos EUA no país continua sendo estratégica para ambas as partes. "A presença de soldados americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos Estados Unidos", declarou ele neste sábado (2) em uma coletiva de imprensa.

Pistorius observou, no entanto, que a medida "era previsível" e situou a decisão no contexto de uma redução mais ampla do contingente americano na Europa.

Troca de acusações entre Trump e Merz

O chefe de Estado norte-americano já havia ameaçado com uma redução de tropas após um confronto verbal com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que declarou nesta segunda-feira (27) que os iranianos "estavam humilhando" Washington nas negociações em andamento para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, que já dura dois meses.

Merz também afirmou que se sentia "desiludido" com a abordagem adotada pelos EUA e por Israel contra o Irã e, em vez disso, defendeu a necessidade de a União Europeia trabalhar incansavelmente em busca de uma solução diplomática para o conflito.

Por sua vez, Trump defendeu suas medidas contra Teerã, afirmando que se trata de algo "que outras nações – ou presidentes – deveriam ter feito há muito tempo" e comparou-as com o que, em sua opinião, representa o "fracasso" de Berlim sob a liderança de Merz. "Não é de se admirar que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", comentou.