EUA não pretendem cooperar com Europa, mas sim confrontá-la e puni-la - Politico

As críticas diretas de Donald Trump e sua decisão de priorizar o confronto com o Irã em detrimento do conflito na Ucrânia estão levando os países europeus a repensar sua dependência de Washington e a acelerar a busca por uma maior autonomia estratégica.

As recentes ações do presidente dos EUA confirmam sua tendência crescente de confrontar os países europeus, inclusive de puni-los, em vez de cooperar com eles, publicou nesta sexta-feira (1) o Politico.

De acordo com o veículo, as críticas de Donald Trump ao chanceler alemão, Friedrich Merz, seus planos de reduzir a presença militar americana na Alemanha e sua recente conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, teriam sido motivo para que os governos europeus realizassem reuniões de emergência.

Repensar sua dependência de Washington

No entanto, a reportagem indica que alguns líderes europeus já não reagem com o mesmo nível de alarme, pois consideram que a ordem internacional que antes garantia a estabilidade no continente "está chegando ao fim". Em resposta, vários países europeus estão começando a se adaptar a essa nova realidade e chegam a cogitar a criação de uma possível "União Europeia de Defesa".

A isso se soma o fato de que Trump deu prioridade à guerra com o Irã, relegando o conflito na Ucrânia a um segundo plano na agenda da Casa Branca. Essa situação, juntamente com os ataques diretos do presidente americano, levou os europeus a repensar sua dependência de Washington e a buscar maior autonomia estratégica.

Por outro lado, os fabricantes de armamento europeus estão acelerando a expansão de sua produção diante das dúvidas sobre se os EUA continuarão fornecendo as armas adquiridas pela OTAN para a Ucrânia, especialmente após a pressão que o confronto com o Irã exerce sobre os arsenais americanos. "As diferenças entre o governo Trump e os aliados europeus começam a parecer irreconciliáveis", afirmou o Politico.